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Apesar do entusiasmo e otimismo expressados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, após o encontro desta terça-feira (12/6) em Singapura, analistas encararam o resultado do acordo com ceticismo. A ausência de referências aos mísseis ou a prazos para a desnuclearização da península coreana são apontados como fragilidades do documento.

Para o presidente norte-americano, Donald Trump “todos podem fazer a guerra, mas só os mais corajosos podem fazer a paz”. Já o líder norte-coreano, Kim Jong-un, disse terem decidido “deixar o passado para trás” e que “o mundo vai ver grandes mudanças”.

No entanto, o retrospecto de tentativas de acordo entre os dois países deixa espaço para dúvidas. O jornal português Expresso publicou um breve histórico da diplomacia nuclear entre os dois países, no qual relembra as tentativas frustradas de acordos no passado, inclusive com os presidentes Bill Clinton, George Bush e Barack Obama.

 

“As lições a retirar dos outros dois acordos, um assinado em 1994 e outro em 2005, é que o problema não é tanto o de acordar as reuniões, o problema é – ou tem sido – fazer valer as determinações escritas no papel”, diz o periódico de Portugal.

Trump afirmou ainda acreditar em Kim quanto ao respeito pelo acordo e que as sanções à Coreia serão levantadas quando as armas nucleares deixarem de ser uma preocupação. Inspetores internacionais e norte-americanos vão acompanhar o processo de desnuclearização.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, já havia dito na segunda-feira (11/6) que o encontro dos líderes seria apenas o primeiro passo de um processo lento e arriscado. “Um passo bastante significativo, ainda assim, se considerarmos que há apenas alguns meses Kim e Trump trocavam insultos e ameaças e comparavam a dimensão dos respectivos arsenais nucleares”, afirma o Expresso.

O jornal francês Le Figaro traz na manchete a pergunta “o que contém no acordo Trump-Kim?” e faz um balanço dos elementos incluídos no documento.

“Donald Trump assegurou que o líder norte-coreano prometeu, após assinar o documento conjunto, destruir em breve um local de grandes testes de mísseis, embora também tenha dito que essa desnuclearização levaria muito tempo, sem dar uma duração precisa”, afirma o jornal, lembrando das negociações sobre a implementação do acordo, previstos para começar na próxima semana.

Segundo o Le Figaro, Trump anunciou a intenção de encerrar exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul contra a Coreia do Norte, descritos como “muito provocativos e muito caros”. Trump reiterou o desejo de retirar, quando chegar a hora, as tropas dos EUA na Coreia do Sul.

A britânica BBC deu destaque à afirmação de Trump sobre Kim: “direto e honesto”. Em uma série de matérias, o veículo trata da repercussão do encontro dos dois líderes.

“Trump disse pretender interromper os “jogos de guerra”, enquanto Kim prometeu destruir um local de testes de mísseis. O acordo também incluiu um compromisso de Kim em livrar a Península Coreana de armas nucleares. É a primeira vez que um presidente americano e um líder norte-coreano se encontram”, afirmou a BBC.

Ainda de acordo com a imprensa inglesa, Trump disse ter tratado da questão dos direitos humanos com o norte-coreano, “administrador de um regime totalitário com censura extrema e campos de trabalhos forçados”. Sobre assuntos relacionados aos direitos humanos, o presidente norte-americano disse que serão retomados oportunamente.

O jornal italiano Corriere Della Sera também traz uma pergunta na capa: “A Guerra da Coreia acabou?”. E afirma ser um desafio acreditar em um resultado definitivo. “Donald Trump chama-se “o artista do acordo” e garanteser capaz de avaliar “em um minuto se Kim Jong-un é sincero”. Mesmo após o teste dos 60 segundos para os dois, persiste o problema de apresentar ao mundo um resultado de impacto”, afirma o Corriere.

 

 

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