Presos aprendem crochê em projeto de ressocialização em presídio de MG

Projeto em presídio de Ribeirão das Neves prevê também a aplicação de cursos profissionalizantes de pedreiro e eletricista para detentos

atualizado

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Cecília Pederzoli/TJMG
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1 de 1 croche-para-presos - Foto: Cecília Pederzoli/TJMG

Belo Horizonte — Em um presídio da região metropolitana de Belo Horizonte, detentos passaram a trocar parte da rotina marcada pela ociosidade por linhas, agulhas e identificação pelo próprio nome. A mudança faz parte do projeto “Dignidade”, desenvolvido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que aposta em atividades simples como estratégia de ressocialização.

A iniciativa reúne atualmente 95 internos em oficinas de crochê, nas quais aprendem a produzir peças artesanais enquanto cumprem pena. Segundo o tribunal, a proposta é oferecer uma alternativa de ocupação e, ao mesmo tempo, estimular habilidades que possam ser utilizadas fora do sistema prisional.

Além do crochê, segundo o tribunal, a meta é que em um ano o projeto seja autossustentável, com a venda dos produtos produzidos pelos recuperandos, por meio de oficinas de corte e costura que estão sendo instaladas. Também estão previstos cursos profissionalizantes de eletricista e pedreiro, além da criação de uma horta agroecológica.

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A juíza idealizadora do projeto afirma que eles "não são só um número" e aposta em cursos profissionalizantes para que eles tenham uma ocupação ao sair da cadeia
De acordo com o tribunal, a medida auxulia os policias penais
Os presos que participam do projeto estão há dias sem cometer faltas graves
Atualmente, 95 detentos participam do projeto de ressocialização no presídio em Ribeirão das Neves (MG)
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Atualmente, 95 detentos participam do projeto de ressocialização no presídio em Ribeirão das Neves (MG)

Cecília Pederzoli/TJMG
A juíza idealizadora do projeto afirma que eles "não são só um número" e aposta em cursos profissionalizantes para que eles tenham uma ocupação ao sair da cadeia
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A juíza idealizadora do projeto afirma que eles "não são só um número" e aposta em cursos profissionalizantes para que eles tenham uma ocupação ao sair da cadeia

Cecília Pederzoli/TJMG
De acordo com o tribunal, a medida auxulia os policias penais
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De acordo com o tribunal, a medida auxulia os policias penais

Cecília Pederzoli/TJMG
Os presos que participam do projeto estão há dias sem cometer faltas graves
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Os presos que participam do projeto estão há dias sem cometer faltas graves

Cecília Pederzoli/TJMG

“Não são só um número”

Mas o projeto não se limita ao trabalho manual. Um dos pontos centrais é a adoção de crachás com os nomes dos detentos — medida que, de acordo com o tribunal mineiro, busca resgatar a individualidade dentro de um ambiente em que os presos costumam ser identificados por números ou apelidos.

“Aqui não são somente um número. Muitos, eu mesma condenei. O humano é frágil, mas é possível reconhecer o erro e ver que se pode mudar a própria história e não voltar para o crime”, afirmou a juíza da 3ª Vara Criminal e de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Fernanda Chaves Carreira Machado, responsável pela iniciativa, ao destacar o caráter simbólico da medida.

Para participar, os internos precisam atender a critérios estabelecidos pela administração. Entre eles, estão não ter cometido faltas graves recentemente e não possuir ligação com facções criminosas. A seleção, segundo o tribunal, é necessária para garantir o funcionamento das atividades.

“Achava que não conseguia”

Além da aprendizagem, o projeto também tem como objetivo preparar os detentos para o retorno à sociedade. De acordo com a coordenação, o crochê pode se tornar uma alternativa de geração de renda após o cumprimento da pena, além de motivar os presos a buscarem outras alternativas após deixar a cadeia.

O recuperando Alisson Mançano Peixoto, de 32 anos, não acreditava que poderia aprender a arte do crochê: “Achava que não conseguia aprender os pontos. Agora, quero mais linhas e até fazer um tapete”, disse. Ele quer trabalhar como mecânico quando sair da prisão: “Eu não gostava de ler, aqui eu gosto.”

A proposta segue uma linha adotada em outras iniciativas no sistema prisional brasileiro, que apostam no trabalho e na educação como ferramentas de reintegração. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que projetos desse tipo ainda têm alcance limitado diante do tamanho da população carcerária e dos desafios estruturais do sistema.

Sem faltas graves e ilícitos

O diretor da penitenciária, Domingos Aires Silva, afirma que o projeto beneficia inclusive os policiais penais que trabalham no local.

“Com um mês podemos ver bons resultados: nenhuma falta grave foi cometida e, na última vistoria, nenhum material ilícito foi encontrado aqui. Quando fomos procurados pela juíza diretora do Foro, vimos que seria um ganho essa inovação. Há benefícios para toda a comunidade, inclusive para os policiais penais. Essa ideia tem tudo para ser um sucesso”, falou.

Os policiais monitoram o pavilhão do lado de fora das grades: todas as atividades internas são desenvolvidas pelos próprios recuperandos, que precisam manter as celas organizadas e as oficinas e aulas em funcionamento.

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