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Há nem tanto tempo assim, nesta mesma galáxia em que vivemos, “Star Wars” entrou na história para consagrar um modelo ainda inesgotável de blockbuster e redefinir a cultura pop. Quarenta anos depois de “Uma Nova Esperança”, primeiro episódio da saga, estreia nesta quinta-feira (14/12) nos cinemas “Os Últimos Jedi”, oitavo capítulo da história principal e nono longa da franquia – contando o derivado “Rogue One”.

A Força, elemento místico e divino capaz de unir universos e personagens das tramas, reverbera no nosso mundo real. Enquanto ainda aguardamos o dia em que será possível viajar à velocidade da luz ou se matricular numa Academia Jedi para aprender a brandir sabres de luz, a criação de George Lucas se renova nas telonas e segue conquistando gerações.

“Star Wars”:
uma história de família

Desde que a saga, já sob o comando da Disney, retornou aos cinemas com “O Despertar da Força” (2015), Janine Morisco e Victor Ferreira vão a sessões de pré-estreia, sempre à 0h, vestidos a caráter. Mãe e filho, os brasilienses acumulam histórias galácticas capazes de fomentar uma franquia própria de filmes.

Quando saiu o “Episódio II: Ataque dos Clones” (2002), Ferreira tinha 6 anos e ainda não conseguia ler com rapidez suficiente para acompanhar as legendas na tela. Ansioso, não quis esperar a sessão dublada. “Falei, ‘você vai se virar e entender’. Passaram 20 minutos de filme e perguntei, ‘tá entendendo?’. Ele me contou o filme todo”, lembra Janine, professora nascida em 1977, ano de “Uma Nova Esperança”.

Ferreira não pôde assistir ao “Episódio III: A Vingança dos Sith” (2005) no cinema por causa da classificação indicativa. Janine, então, lhe fez uma promessa: se “Star Wars” voltasse com novo filme, ela iria fantasiada de Darth Vader. Não deu outra. Dez anos depois, veio “O Despertar da Força”, produção de maior bilheteria da franquia (US$ 2,068 bilhões).

Hoje educador social, Ferreira, de 21 anos, passou os últimos dois fabricando caseiramente seu cosplay de Kylo Ren (Adam Driver), vilão da nova trilogia, oponente da Jedi iniciante Rey (Daisy Ridley) e filho de Leia (Carrie Fisher) e Han Solo (Harrison Ford). Além dos habituais itens de fã – pôsteres nas paredes, brinquedos de tamanhos variados, capacetes de personagens –, o jovem mantém um caderno no qual lista exemplares de tecidos que testou para dar autenticidade à fantasia.

“Me interesso por tapeçaria e uso todo tipo de material. Peças do lixo mesmo. Bulbo de câmara fotográfica, pega-ladrão, pen-drive, até tapete de carro. Pesquiso detalhes das roupas em fotos com alta resolução e exemplares expostos em eventos oficiais”, descreve. A avó Jurema dá uma força na costura das vestimentas.

Quando “Os Últimos Jedi” estrear, Ferreira, Janine e amigos farão uma “turnê” por cinemas da capital com objetivo de recrutar cosplays para a Legião 404 (404th Legion), grupo de fãs recém-criado nos Estados Unidos.

Mesmo após a promessa cumprida, Janine segue acompanhando o filho. Ela se caracteriza como a personagem Mara Jade, mulher de Luke Skywalker (Mark Hamill) e heroína que só aparece no chamado universo expandido, reunião de livros, games e histórias em quadrinhos. “O rock’n’roll foi de mim para ele. ‘Star Wars’, dele para mim”, orgulha-se.


A stormtrooper
do bem

Se na trilogia original, lançada entre 1977 e 1983, os temidos (e péssimos de mira) stormtroopers são todos homens, Nannarhara Bessa é uma das milhões de fãs dispostas a quebrar o tabu. Há três anos, ela usa seu cosplay de agente imperial em eventos como a Comic Con Experience (CCXP), maior convenção de cultura pop do Brasil, e sessões de cinema.

“Além de poder brincar de ser herói ou vilão por um dia, é sempre uma experiência diferente, uma vibração bem legal. Mesmo com calor e dor que passamos”, diz a goiana de 32 anos, radicada em Brasília há três. A social media é filiada à Legião 501, versão brasileira da 501st Legion, gigantesca organização de fãs e voluntariado social dedicados a réplicas e cosplays dos vilões de “Star Wars”.

Seu filho, Daniel, de 11 anos, que não vive com ela, adota a fantasia de Han Solo. Nos filmes, o contrabandista mais malandro do universo adora atirar em soldados inimigos e ludibriar caças a bordo da nave Millennium Falcon.

Aos 32 anos, Nannarhara nutre nostalgia pelo passado da saga, mas acha que, nas mãos da Disney, “Star Wars” fisgará ainda mais gerações nos próximos lançamentos. “Antes era restrito apenas a nerds”, pondera. “O estúdio vai manter o padrão de qualidade, dessa vez conquistando um público cada vez maior.”

Irmãos gêmeos
e soldados clones

Além de obviamente parecidos, os irmãos Mateus e Rafael Costa compartilham paixão pelo universo de “Star Wars”. Aos 20 anos, eles cursam direito na UnB e entraram na saga pelos créditos finais. Viram “O Retorno de Jedi” (1983), sexto episódio, meio que por acaso, quando eram crianças.

Gaúchos radicados em Brasília há pelo menos 11 anos, os irmãos não hesitaram em escolher a fantasia na hora de entrar no mundo cosplay: os soldados vistos em “Ataque dos Clones” (2002) e em duas séries animadas da saga. “A experiência de ver filme com uma roupa dessas é inacreditável”, diz Rafael.

Os dois encomendaram as fantasias, feitas sob medida, há três anos. São pouco mais de 20 peças de plástico que, juntas, deixam os dois com genuíno visual de soldados clones. Fãs do universo expandido da franquia, os gêmeos não escondem o carinho que sentem por desenhos como “Clone Wars” e “Rebels”, ainda em andamento.

“Está trabalhando com uma parte da Força de que mais gosto, a intermediária. Nem Jedi monge, nem Sith crápula”, diz Mateus sobre “Rebels”. Enquanto ele evitou spoilers de “Os Últimos Jedi” a todo custo, o irmão viu os trailers. Ambos concordam que o “Episódio VIII” pode mudar radicalmente os rumos de “Star Wars”. “Os Jedi eram muito desumanizados. Deve ter uma mudança de filosofia”, diz Rafael.

“Os Últimos Jedi” e a futura quarta trilogia da saga

Será Episódio VIII o capítulo mais dramático de “Star Wars”? É o que os fãs se perguntam desde a profecia de Luke em um dos trailers do filme: “Só sei de uma verdade. É hora de os Jedi acabarem”. Enquanto especulamos sobre o futuro dos guardiões da paz na galáxia, a saga ainda está a anos-luz dos créditos finais.

Dezesseis anos separaram “Episódio VI: O Retorno de Jedi” (1983) de “Episódio I: A Ameaça Fantasma” (1999), filme que iniciou a história de origem de Darth Vader, vilão supremo da franquia. “Episódio VII: O Despertar da Força” (2015) deu sequência a “Jedi” uma década após “Episódio III: A Vingança dos Sith” (2005).


Quanto tempo teremos de esperar até que a quarta trilogia saia do papel – isso sem contar os longas derivados? Talvez alguns anos. “Episódio IX”, ainda sem título, tem direção de J.J. Abrams, o mesmo de “Despertar”, e estreia em 19 de dezembro de 2019, fechando o terceiro ciclo de produções.

Enquanto isso, Rian Johnson, roteirista e realizador de “Os Últimos Jedi”, parece ter feito um trabalho tão impressionante no oitavo filme que foi prestigiado pela Disney com uma missão ambiciosa: levar “Star Wars” adiante em nova trilogia de histórias espaciais, agora sem o lastro familiar do clã Skywalker. Que a Força esteja com ele.