Rafaela Lima

26/01/2020, 5:30

O Metrópoles se desafiou a contar a história de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal em 2019. Foram 365 dias monitorando os casos ocorridos em Brasília e em suas regiões administrativas a partir dos registros da Secretaria de Segurança, do Ministério Público, do Corpo de Bombeiros Militar e das polícias Civil e Militar. Publicamos perfis de 33 mulheres com níveis sociais completamente diferentes, mas conectadas por uma realidade em comum: foram vítimas do ciclo de violência atrelado à cultura machista.

Os assassinos eram pessoas com quem as vítimas deveriam se sentir seguras. Entre os feminicidas, estão namorados, maridos, ex-companheiros, irmão, cunhado, filho, sobrinho e até um vizinho. Em apenas três casos o algoz era desconhecido. Na trajetória de vida de cada uma dessas mulheres, é possível mapear a escalada da violência. A morte chegou para elas após dias ou décadas de ameaças. Esse padrão de comportamento fica ainda mais claro a partir do levantamento de histórias e dados feito pelas nossas 31 repórteres.

33

mulheres vítimas de feminicídio no df em 2019

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05/01Vanilma dos Santos
28/01Diva Maria
30/01Veiguima Martins
10/03Cevilha Moreira
17/03Maria Gaudêncio
31/03Isabella Borges
14/04Luana Bezerra
21/04Eliane Maria
25/04Cácia Regina
06/05Jacqueline dos Santos
09/05Maria de Jesus
20/05Debora Tereza
12/06Francisca Naíde
12/07Genir Pereira
22/07Joyce Oliveira
08/08Maria Almeida
20/08Iran Francisca
23/08Letícia Curado
26/08Talita Valadares
29/08Cristiane Mendes
01/09Pedrolina Silva
12/09Lilian Cristina
15/09Greisielle Feitoza
23/09Tatiana Luz
26/09Queila Regiane
29/09Adriana Maria
17/10Noélia Rodrigues
01/11Renata Alves
14/11Necivânia Eugênio
15/11Gláucia Sotero
23/11Sandra Maria
17/12Letícia Pereira
21/12Luciana de Melo

Para encerrar o projeto Elas por Elas, apresentamos os números coletados durante um ano de apuração. Depois de conversar diariamente com especialistas, sobreviventes, órfãos e famílias feridas, chegamos a uma conclusão: apesar de as leis Maria da Penha e do feminicídio serem importantes na punição desses criminosos, elas não são suficientes para cessar esse tipo de violência. Acabar com a cultura machista é a única forma de salvar futuras vítimas. Por isso, a discussão sobre masculinidade tóxica precisa estar nas salas de aula e nas conversas em volta da mesa de jantar.

Os números de violência contra a mulher são aterrorizantes: 16.954 boletins de ocorrência, enquadrados na Lei Maria da Penha, foram registrados em delegacias do DF; 89 vítimas sobreviveram a tentativas de feminicídios; e 33 ataques resultaram em morte. Os dados superaram os de 2018. Por isso, o Metrópoles se compromete a publicar matérias sobre esse tema a fim de alertar mulheres em situações de vulnerabilidade e, sobretudo, de chamar a atenção das autoridades para a questão. Não aceitamos perder nossas vidas para esse machismo desenfreado.

33 mulheres

Algumas compartilham, além da história trágica, sobrenomes:

A vítima mais idosa tinha 69 anos

Diva Maria

a mais nova tinha 20 anos

Letícia Melo

A média de idade das vítimas é de 40 anos

Os feminicídios aconteceram em 17 regiões do DF

Quantidade de feminicídios

  • 0
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4

Plano Piloto é a região onde as mortes mais aconteceram.Foram 4

Paranoá, Planaltina, Santa Maria, Sobradinho e Taguatinga ficam logo atrás, com 3 em cada

Cinco das 33 mulheres assassinadas não tinham filhos

As vítimas deixaram 73 órfãos

Desses, seis já morreram

Setembro foi o mês mais violento. Foram seis feminicídios

Agosto vem logo depois, com cinco

Todos os casos, sem exceção, são marcados pela crueldade:

19 mulheres morreram em suas próprias casas

os maridos são os que mais matam

o suspeito mais novo tem 20 anos

Luiz Filipe Alves

o mais velho tem 82 anos

José Bandeira da Silva

A média é de 40,4 anos

situação dos suspeitos

Os números de violência contra a mulher também chamam a atenção

X

em 2019, foram:

16.954 ponto
X
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