“Não pode ficar comprando se você pode produzir aqui”, diz Bolsonaro sobre vacina

Presidente voltou a afirmar que está em busca de dinheiro para financiar uma vacina brasileira

atualizado 29/01/2021 14:17

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Em evento com atletas nesta sexta-feira (29/1), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que está buscando recursos para produzir a vacina contra a Covid-19 no Brasil. Sem citar o nome do imunizante a que se referia, o mandatário disse que a data de validade “da vacina que está aí” é de cerca de seis meses.

O chefe do Executivo federal afirmou que não pode ficar comprando e gastando dinheiro no exterior se é possível produzir o imunizante em território nacional.

“Nós temos aqui gente que cada vez mais nos surpreende em todas as áreas, como até o Marcos Pontes (ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, que diz estar coordenando um esforço para produzir uma vacina brasileira). Está quase acertando aí 300 milhões [moeda indefinida], é grana para burro, né, nós não temos orçamento. Estamos acertando buscar dinheiro numa outra área aí, não vai ser no BNDES não, fica tranquilo [dirigindo-se ao presidente do banco, Gustavo Montezano], para fazer a nossa vacina.”

A imunização contra Covid-19 no Brasil foi iniciada com doses da Coronavac, imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac Biotech, e doses da Oxford/AstraZeneca produzidas na Índia.

A fabricação de novos lotes de imunizantes em território nacional depende da chegada de insumos farmacêuticos que vêm da China.

“Quem diria, né? Fazer a nossa vacina, porque a vacina que está aí pessoal sabe que a data de validade está em torno de seis meses. A gente não pode ficar comprando isso, gastando bastante, se você pode produzir”, disse Bolsonaro.

Em entrevista ao Estadão na última terça-feira (26/1), o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, afirmou que falta uma verba de aproximadamente R$ 390 milhões para projeto de desenvolvimento de vacinas no Brasil.

Segundo ele, em torno de R$ 90 milhões são necessários para as fases 1 e 2. E aquela que tiver mais sucesso, em torno de R$ 300 milhões, para 30 mil voluntários.

Corte na pesquisa científica

Esta semana, o governo federal reduziu em 68,9% a cota de importação de equipamentos e insumos para pesquisas científicas. O benefício fiscal é definido todo ano pelo governo federal e, desde 2017, está em um patamar de US$ 300 milhões por ano. Em 2021, no entanto, o valor foi reduzido para US$ 93,3.

Com a redução nessa cota, são impactados a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Butantan, entre outras instituições. A informação foi revelada pelo jornal O Globo.

O corte pode impactar em estudos sobre o novo coronavírus, segundo ofício enviado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) aos ministérios da Economia e da Ciência, Tecnologia e Inovações.

Em nota divulgada na noite de quinta-feira (28/1), o governo federal afirmou que as pastas envolvidas firmaram o compromisso de buscarem, com urgência, uma solução para o problema orçamentário. Segundo o governo, serão buscadas alternativas para incrementar a cota e atender às demandas de isenção fiscal para importação de equipamentos e insumos de pesquisas.

No evento desta sexta, Bolsonaro afirmou que o Brasil “nunca se importou, nas últimas décadas, com pesquisa e desenvolvimento e agora se importa”, sem se referir aos cortes no orçamento da área.

Relançamento dos Jogos Escolares

O evento foi destinado ao relançamento os Jogos Escolares Brasileiros (JEBs), que irão ocorrer no fim de 2021. Não previsto na agenda oficial, o evento foi fechado à imprensa, mas o filho do presidente Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) fez uma transmissão ao vivo no Instagram.

Entre os atletas presentes estavam Serginho e Giba (ambos do vôlei), André Domingos (atletismo), Flávia Saraiva (ginástica artística) e Mayra Aguiar (judô). A competição será realizada entre os dias 29 de outubro e 5 de novembro, no Rio de Janeiro, depois de um hiato de 17 anos.

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