Bolsonaro sobre Moro: “Lamentavelmente o ex-ministro mentiu”

Presidente nega que tenha buscado trocar superintendentes da Polícia Federal. Ex-ministro e chefe do Planalto têm trocado acusações

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acusou o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro de mentir sobre ele mesmo buscar fazer interferências políticas na Polícia Federal (PF).

A troca do comando da corporação, determinada por Bolsonaro, ocasionou a saída do ex-juiz federal do governo.

Neste domingo (26/04), Bolsonaro voltou a criticar Moro nas redes – dando sequência a uma troca de farpas iniciadas no sábado (25/04).

“Lamentavelmente o ex-ministro mentiu sobre interferência na PF. Nenhum superintendente foi trocado por mim. Todos foram indicados pelo próprio ministro ou diretor geral”, escreveu no Twitter. Veja:

Bolsonaro ainda ironizou. “Para mim os bons Policiais estão em todo o Brasil e não apenas em Curitiba, onde trabalhava o então juiz”, conclui. Moro levou uma série de policiais que trabalharam na operação Lava Jato – sediada em Curitiba – para o ministério.

Desde o pedido de demissão, na última sexta-feira (24/04), Moro e Bolsonaro passaram a trocar acusações.

Moro resgatou uma campanha da pasta contra a corrupção. “Faça a coisa certa, pelos motivos certos e do jeito certo’ foi o lema de campanha de integridade que fizemos logo no início”, escreveu.

Depois, Bolsonaro citou a Vaza Jato, série de reportagens que revelaram uma relação de proximidade entre o então juiz federal Sergio Moro com integrantes do Ministério Público Federal (MPF).

A menção foi feita em uma foto, com a cronologia das revelações e o presidente abraçando Moro como suposto desfecho. Na foto, Bolsonaro e o então ministro aparecem no desfile de 7 de setembro demonstrando proximidade.

“A Vaza Jato começou em junho de 2019. Foram vazamentos sistemáticos de conversas de Sergio Moro com membros do MPF. Buscavam anular processos e acabar com a reputação do ex-juiz. Em julho, PT e PDT pediram a prisão dele. Em setembro, cobravam o STF. Bolsonaro no desfile do dia 7 fez isso”, destaca a legenda da imagem.

Sob o argumento de que a integridade das investigações e a autonomia da Polícia Federal não podiam mais ser garantidas, Moro pediu demissão do Ministério da Justiça e da Segurança Pública nessa sexta-feira (24/04).

Entenda a crise

O estopim para a crise que levou ao rompimento foi a exoneração do então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo. Moro alega que não foi avisado do desligamento, mesmo com a sua assinatura constando no documento.

O delegado foi substituído por Alexandre Ramagem, atual diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência(Abin) e ex-chefe da segurança de Bolsonaro.

Moro deixou o ministério acusando o presidente de querer controlar as atividades da Polícia Federal e disse que estava preocupado com investigações.