Bolsonaro se isenta de responsabilidade por crise no AM e cita “luta pelo poder”

Presidente disse que cabe aos secretários de saúde estaduais e municipais sinalizar a falta de um medicamento ou insumo hospitalar

atualizado 18/01/2021 13:44

Igo Estrela/Metrópoles

Em conversa com apoiadores nesta segunda-feira (18/1), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se isentou da responsabilidade pela crise no sistema de saúde no Amazonas. De acordo com o presidente, cabe aos secretários de saúde estaduais e municipais sinalizar a falta de um medicamento ou insumo hospitalar.

Sem citar nomes, o chefe do Executivo também disse que a culpa colocado sobre ele é uma “luta pelo poder”.

“Você vê: tem um problema em Manaus, a gente lamenta as mortes, né, por asfixia, por falta de oxigênio. Culpam o governo. Nós destinamos bilhões para os estados. Agora, quem detecta a falta de medicamento, a ausência próxima é o respectivo secretário de saúde estadual e municipal. Daqui a pouco vai faltar band-aid no Rio de Janeiro e vão querer me culpar. Mas não tem problema não. Isso é… A gente sabe que é a luta pelo poder.”

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, teria sido previamente avisado “sobre a escassez crítica de oxigênio em Manaus por integrantes do governo do Amazonas, pela empresa que fornece o produto e até mesmo por uma cunhada, mas não agiu”.

O sistema de saúde do Amazonas enfrenta uma situação de colapso com o recrudescimento dos casos de infectados pelo novo coronavírus e a alta de mortes em decorrência da doença. Depois que as internações por Covid-19 bateram recorde na unidade federativa, os hospitais, sobrecarregados, ficaram sem oxigênio para pacientes.

Para conter a disseminação do vírus, o governador Wilson Lima (PSC) decretou toque de recolher por 10 dias. Ninguém pode sair de casa entre 19h e 6h. Pacientes foram transferidos para outros estados.

Apoio da Venezuela

Crítico do regime na Venezuela, Bolsonaro afirmou que vai aceitar a ajuda de envio de cilindros pelo vizinho sul-americano, mas alfinetou o presidente Nicolás Maduro. “Poderia oferecer auxílio emergencial para a população dele também”, disse.

“Agora se fala que a Venezuela está fornecendo oxigênio para Manaus. A White Martins é uma empresa multinacional que está lá também. Agora se o Maduro quiser fornecer oxigênio para nós, pode receber, sem problema nenhum. Agora ele poderia dar auxilio emergencial para o seu povo também, né? O salário mínimo lá não compra nem 1kg de arroz. Não tem mais cachorro lá, por que será? Alguma peste? Comeram os cachorros todos, os gatos todos.”

Um carregamento com 107 mil metros cúbicos de oxigênio vindo da Venezuela já cruzou a fronteira terrestre em carretas e deverá chegar a Manaus ainda nesta segunda-feira (18/1).

Bolsonaro criticou o governo venezuelano e creditou a sustentação de Maduro ao apoio das Forças Armadas.

“O pessoal parece que não enxerga o que o povo passa, para onde querem levar o Brasil, para o socialismo. Por que sucatearam as Forças Armadas ao longo de 20 anos? Porque nós militares somos o último obstáculo para o socialismo. Quem decide se o povo vai viveria democracia ou ditadura são suas Forças Armadas. Não tem ditadura onde as Forças Armadas não apoiem. No Brasil, temos liberdade ainda. Se não reconhecermos o valor desses homens e mulheres que estão lá, tudo pode mudar. Imaginem o Haddad no meu lugar. Como estariam as Forças Armadas com o Haddad? Quem seria o ministro da defesa? Joao Pedro Stédile, José Rainha ou o próprio Lula?”

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