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Nos dois últimos anos, donos de restaurantes e consumidores de todo o país se assustaram com a repentina alta do valor do camarão, que chegou a dobrar, levando o preço do produto às alturas. O motivo do reajuste foi a disseminação do vírus mancha branca em várias partes do Brasil, causando grandes perdas nos principais criadouros do crustáceo.

Em função desse cenário, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do DF (Abrasel) solicitou ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) a reabertura das importações de camarão, proibida desde 1999. Após verdadeira queda de braço entre produtores nacionais e donos de restaurantes, o governo liberou, no fim de 2017, a entrada, no país, do crustáceo limpo e sem cabeça do Equador.

Com maior oferta do produto disponível no mercado, o valor do camarão apresenta as primeiras reduções. Com isso, estabelecimentos do DF começam a reajustar os valores dos cardápios para trazer de volta os clientes. No último mês, a rede Coco Bambu e o restaurante Oliver, por exemplo, anunciaram uma diminuição de cerca de 10% nos preços dos pratos que têm a iguaria como ingrediente principal.

“Naturalmente, pela própria dinâmica do mercado, a gente vai ver esses preços caírem com o passar do tempo”, afirma o presidente da Abrasel, Rodrigo Freire – também proprietário do restaurante Oliver. Ele lembra que o estabelecimento chegou a retirar o buffet de Paella, antes servido semanalmente, devido aos valores dos insumos.

Beto Pinheiro, um dos sócios do Coco Bambu, explica que a redução de preço no menu faz parte de um compromisso firmado pelo restaurante em 2017. “Quando tivemos de aumentar os valores devido à baixa disponibilidade do produto, prometemos que faríamos o caminho inverso após a normalização do mercado”, diz. A salada caesar de camarão, por exemplo, sofreu queda de 26% no preço.

Sem desconto para comer em casa
Se os empresários do setor de alimentação fora do lar estão comemorando, o mesmo não pode ser feito por quem gosta de saborear o crustáceo em casa. O Metrópoles entrou em contato com duas  peixarias da cidade para saber se a redução também chegou ao consumidor, mas a resposta foi desanimadora.

Na peixaria Ueda, uma das maiores do DF, o quilo do fruto do mar varia entre R$ 38 e R$ 159. O tipo mais vendido, o camarão rosa médio, limpo e sem cabeça, custa R$ 89,90 o quilo. “Por aqui ainda não sentimos nenhuma diferença. Pelo contrário, em 2018 está um pouco mais caro do que em 2017”, disse uma das gerentes.

Em outra loja, um pouco mais distante da Zona Central, a Peixaria EPNB, localizada na Área de Desenvolvimento Econômico (ADE) de Águas Claras, os líderes de venda são o camarão cinza médio, que custa R$ 41,90 o quilo, e o camarão rosa a R$ 54,90.



 

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