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Na história da Seleção Brasileira, titularidade antes da Copa do Mundo ou prestígio reduzido nem sempre significa muito para quem atua na lateral direita. Quem agora comprova isso é Fagner, o último dos casos a confirmar que, dentro de campo, status pode mudar rapidamente. Afinal, após correr o risco de nem ir para a Rússia, o jogador do Corinthians tornou-se titular com Tite e não teve a vaga ameaçada nem após Danilo se recuperar de lesão, sendo confirmado pelo treinador para o duelo desta segunda-feira (2/7) contra o México, às 11h, em Samara, pelas oitavas de final.

Embora tenha sido presença constante na lista de convocados de Tite desde o início do seu trabalho na Seleção, no segundo semestre de 2016, Fagner poderia ter ficado fora da Copa. Afinal, o treinador sempre teve Daniel Alves como lateral direito titular, posto só perdido por causa de uma grave lesão no joelho, que o impediu até mesmo de ser convocado. Além disso, o próprio técnico indicou que Danilo tinha a preferência para ser titular.

Só que Fagner foi conquistando espaço de lesão em lesão, logo ele, que também teve a convocação colocada em risco por causa de um problema muscular. Primeiro foi a de Daniel Alves. Depois, com Danilo — o lateral do Manchester City lesionou-se na véspera do segundo compromisso do Brasil na Rússia, contra a Costa Rica, e restou a Tite apostar no corintiano.

Fagner não havia entrado em campo nem nos amistosos preparatórios para a Copa, tendo que encerrar a inatividade que vinha desde 29 de abril, quando se lesionou. Mas atuações seguras contra Costa Rica e Sérvia levaram Tite a mantê-lo no time, mesmo com Danilo recuperado de lesão. “Falei para o Danilo antes do treino que ele vinha jogando bem, ficou dois jogos fora e o Fagner permanece pelo alto nível de desempenho em dois jogos decisivos”, explicou o treinador.

Nesta segunda (2), Fagner terá que encarar o mais perigoso atacante mexicano, o rápido Hirving Lozano, destaque da conquista do título holandês pelo PSV Eindhoven e autor do gol da sua seleção na vitória sobre a Alemanha na estreia na Copa. “O Fagner é bom no enfrentamento, é uma de suas características, o contra um dele é de qualidade”, assegurou Tite, minimizando a tarefa que o jogador terá na partida em Samara.

A situação de Fagner lembra a de outros laterais direitos da Seleção em Copas. Em 1986, por exemplo, Leandro, um dos grandes nomes da posição no país, abdicou de ir ao México em solidariedade ao amigo Renato Gaúcho, descartado por problema disciplinar pelo técnico Telê Santana.

Isso forçou o treinador a chamar mais um lateral direito: Josimar. Reserva de Édson Boaro no início da Copa, o então jogador do Botafogo assumiu a titularidade a partir do terceiro jogo, contra a Seleção da Irlanda do Norte. Ele marcou golaços naquela partida e diante da Polônia, consagrando-se como um dos grandes nomes do Brasil naquele Mundial.

Doze anos depois, o volante Flávio Conceição seria o reserva imediato de Cafu na lateral direita na Copa de 1998. Só que o ex-palmeirense foi cortado por lesão e Zagallo surpreendeu: chamou o então são-paulino Zé Carlos, que nunca havia atuado pelo Brasil. A chance viria logo na semifinal, fase para a qual o capitão do penta estava suspenso. Ele sofreu para encontrar o ponta esquerda holandês Zenden em campo. Mas o Brasil avançou à final da Copa nos pênaltis. Agora, então, Fagner deixou de ser incerteza para se tornar titular com Tite na Rússia.