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Em março do ano passado, o meia Héverton, protagonista do episódio que culminou no rebaixamento da Portuguesa no Brasileirão de 2013, comprou uma padaria no bairro da Mooca, em São Paulo. Na ocasião, ele afirmou ter “90% de chance de dar certo”. Porém, os 10% prevaleceram e o negócio não só deu errado como parou nos tribunais.

Eliana Jatobá, procuradora da padaria Nova Veredas e mãe do proprietário, acusa o jogador de estelionato e furto. Segundo a denúncia, Héverton não pagou o que devia, furtou equipamentos e deixou a padaria às traças. O atleta foi contratado pelo Real-DF para disputar o Candangão deste ano e deixou o estabelecimento na Zona Leste de São Paulo, bairro de classe média, para trás.

“A padaria estava à venda, e chegou esse Héverton, dizendo ser jogador da Portuguesa, afirmando ter feito cursos administrativos. Acreditamos nele”, lembra Jatobá. De acordo com ela, o meia alegou ter imóveis em Brasília e não teria problemas em pagar os R$ 720 mil, parcelados em 36 prestações de R$ 20 mil.

Entretanto, apenas três parcelas teriam sido pagas, sob a alegação de não ter conseguido vender imóveis em Brasília. A relação estremeceu com o passar do tempo, até que Jatobá foi à Justiça. A partir daí, acusa a mulher, o atleta passou a depredar o local. Ele, inclusive, teria tentado vender equipamentos da padaria no site Mercado Livre.

Decisão judicial do último dia 10 contra o atleta expede mandado de reintegração e ordem de arrombamento com reforço policial “ante os novos elementos no sentido de que houve abandono do estabelecimento empresarial”.

Ele é um estelionatário porque me passou cheques sem fundos, não cumpriu o que estava no contrato e, além disso, levou uma carga roubada para dentro da padaria"
Eliana Jatobá, procuradora da padaria Nova Veredas

Os proprietários ainda acusam o meia de ter aberto outra empresa, a H10 Panificadora, com o mesmo endereço da Nova Veredas, que ficava responsável por pagar tributos. A H10 ficaria com o dinheiro arrecadado.

Início promissor
A página da padaria no Facebook tem nota 2,5 — em escala de 1 a 5 — e várias críticas ao estabelecimento. Um dos perfis alegou, há cerca de três meses, estar com um cheque sem fundo e não conseguir contato com os proprietários.

Quando passou a administrar a Nova Veredas, Héverton teve bom faturamento, admite Eliana. A padaria tinha muitos clientes. A partir do terceiro mês, porém, foi que o negócio desandou. Em outubro, o caso foi para as mãos da Justiça paulista.

Ao saber da atitude, o jogador teria retirado equipamentos e móveis da panificadora e levado embora em um caminhão de uma empresa do irmão. “Ele também não pagou os funcionários. Dizem que eles queriam dar uma surra nele e ele fugiu”, acrescenta Eliana.

Atualmente, a padaria está fechada. Héverton teria abandonado o estabelecimento com alimentos dentro, como doces e pães. “O oficial de Justiça que foi até lá ficou horrorizado. Parecia cena de guerra”.

Por meio da assessoria de imprensa do Real, o jogador afirmou que não se pronunciará sobre a denúncia.

Entenda o caso
Em dezembro de 2013, o jogador foi irregularmente escalado contra o Grêmio, na última rodada daquele Campeonato Brasileiro. Ele entrou nos minutos finais do jogo. A Portuguesa perdeu pontos e foi ultrapassada pelo Fluminense. Assim, caiu para a Série B.

No ano seguinte, Héverton defendeu o Paysandu na Série C. Em 2015, ele passou pelo Brasília e, em 2016, vestiu a camisa do XV de Piracicaba. Depois de pouco atuar, o jogador decidiu investir na padaria.

O impasse envolvendo a panificadora culminou no convite para disputar o Candangão pelo Real.

 

 

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