Apresentado no Palmeiras, Mano minimiza rejeição e faz promessa

O treinador evitou bater de frente com a torcida pela contratação e pretende achar uma "maneira legal" para o time atuar

Divulgação/PalmeirasDivulgação/Palmeiras

atualizado 05/09/2019 13:57

O novo técnico do Palmeiras, Mano Menezes, foi apresentado nesta quinta-feira (05/09/2019) no clube com o discurso de futebol ofensivo e de luta contra a rejeição da torcida. Com contrato até dezembro de 2021, o substituto de Luiz Felipe Scolari vai estrear neste sábado (07/09/2019) contra o Goiás, no estádio Serra Dourada, em Goiânia, pelo Campeonato Brasileiro. Na primeira entrevista coletiva no cargo, o treinador minimizou a rejeição da torcida pela contratação e prometeu achar um “maneira legal” para atuar.

O agora comandante do Palmeiras chega ao clube em um momento de muita pressão, com protestos da torcida contra o diretor de futebol Alexandre Mattos e o time sem vencer há sete rodadas. Mano Menezes foi apresentado pelo presidente do clube, Mauricio Galiotte, além da presença do próprio Mattos e dos donos da Crefisa, Leila Pereira e José Roberto Lamacchia.

Confira a entrevista concedida pelo treinador:

Recado
“Antes de abrir para perguntas, queria dizer ao torcedor do Palmeiras sobre a minha honra de estar aqui para iniciar um trabalho à frente do Palmeiras. Uma carreira como a minha, de 20 e poucos anos, é feita de capítulos importantíssimos. Espero estar iniciando mais um capítulo vencedor dessa carreira que construo há bastante tempo, com muita dedicação, entrega, respeito ao futebol, pelo qual tanto eu quanto o torcedor do Palmeiras tem como uma paixão de nossas vidas”.

Chegada ao Palmeiras
“O Palmeiras, dos últimos Campeonatos Brasileiros, ganhou dois e ficou em segundo em um. Não pode deixar que se destrua isso do dia para a noite porque não é assim que as coisas funcionam. Quem já passou por isso traz consigo a experiência de saber como se comportar nessa hora porque o Palmeiras tem condição de disputar o título brasileiro. Pode se dedicar e vai se dedicar na sua totalidade para disputar o título. As próximas rodadas serão determinantes para isso. É o momento em que se decide para que lado vai. Parou de pontuar na proporção que vinha fazendo, que era extraordinária antes da Copa América, mas tem capacidade, clube, estrutura, camisa, torcida. Estamos assumindo o comando técnico com essa convicção”.

Momento tenso no clube
“Quando recebi o convite, na segunda-feira à noite, certamente levei em consideração todos os aspectos. Você não vive numa bolha, o futebol não vive numa bolha, mas nós não podemos fazer aquilo que não é da nossa alçada fazer. Só podemos modificar essa situação de dentro para fora, dentro do campo. Não precisamos fazer milagre nenhum porque as condições todas a que me referi anteriormente são propícias para entregar aquilo que o torcedor quer. O objetivo do torcedor é o mesmo que o nosso. Vamos trabalhar para isso, vamos fazer nossa parte. O Palmeiras é muito maior do que todas essas questões segmentadas. Da mesma maneira que não é unanimidade num segmento, você encontra pessoas nas ruas, e eu encontrei muitas, que sentem confiança no trabalho que vai se iniciar, na retomada. Enxergam num profissional como eu essa possibilidade”.

Identificação com o Corinthians
“Eu gostaria de lembrar as pessoas que estamos em 2019. Certas discussões e questões fazem parte do passado. O mundo está mais globalizado um pouquinho. Muitos profissionais já fizeram esse caminho e eu quero fazer o caminho de quem veio ao Palmeiras com sucesso. Eu procuro respeitar a filosofia de cada clube. O mesmo técnico durante a trajetória muda de estilo várias vezes. Se você olhar para trás, vai encontrar que dirigi a seleção brasileira e meus volantes eram Ramires e Paulinho. Vamos construir um trabalho juntos no Palmeiras. O clube tem elenco com características de jogadores definidos para você poder armar uma maneira legal de jogar. Eu procuro estudar muito o clube que assumo. Mesmo na história do Palmeiras, nas Academias, lá atrás, tiveram características diferentes. A primeira pelo Filpo (Nuñes) e a segunda pelo Osvaldo Brandão”.

Estilo parecido ao de Felipão
“Seria bem fácil para mim dizer que jogo diferente. Seria um desrespeito. Ele escolheu uma forma de jogar, que vinha dando certo até a Copa América, os resultados eram bons. Mas o futebol é inesperado. Vocês vão ver logo a maneira como a equipe vai jogar. Logo após fazer a escolha, você apresenta evoluções”.

Rejeição da torcida
“Eu sempre penso que o trabalho é mais importante do que tudo. Você não tem garantia nenhuma no futebol. A gente criou que quem faz mais investimento vai ser campeão. Mas não temos. O Palmeiras deve estar entre os primeiros, sempre sendo protagonista. Essa é a exigência que uma estrutura como nossa produz em quem assume o Palmeiras. Também não temos garantia sobre um técnico que chega com unanimidade grande. Se der resultado, o treinador será o primeiro a reconhecer, assim como se não der certo”.

Paralelo com a saída do Cruzeiro
“Não consigo porque não sei a realidade do ambiente do Palmeiras Cada clube tem sua peculiaridade. O importante é conhecer sua nova casa, e aí em um curto prazo tentar encaixar situações para tentar retomada. Mas não dá para traçar paralelo de um lugar que conheceu para um lugar em que é agora a Academia de Futebol do Palmeiras”.

Elenco poderoso te atraiu?
“Quando saí do Cruzeiro, minha ideia era não dirigir clube algum até o fim do ano. Mas tem situações que são especiais. E essa situação com o Palmeiras é especial. Nós já havíamos manifestado a intenção de realizar esse trabalho dois anos atrás, mas or questões de escolha, de entendimento, de carreira, de continuidade no Cruzeiro, entendi que deveria dar continuidade lá. Já existia convicção de que uma dia iríamos trabalhar juntos Entendi que o momento é esse. Entendo que aqui, com a estrutura que temos, com a capacidade que temos, se abre a possibilidade de um novo ciclo para continuar vencendo. Porque o Palmeiras é o maior vencedor do Brasil de todos os tempos”.

Palmeiras será mais ofensivo
“Vai jogar mais. Eu pedi a camisa 9 na apresentação para os jogadores não ficarem mais preocupados com concorrência. Acredito muito nos jogadores que dirijo, a gente analisa bem, construímos equipes. Temos jogadores para todas as posições, temos um nível alto”.

Criticado antes da estreia
“São novos tempos. Antigamente a gente deixava ao menos trabalhar para depois avaliar. Eu entendo que deva ser o caminho da retomada. O torcedor tem o direito de se manifestar. Vamos trabalhar para ele ser feliz e ter orgulho do time. No Cruzeiro estava há três anos e dois meses. Agora você tem tudo para falar aos jogadores, tem um caminho para construir com as suas ideias, que precisa ser clara”.

Utilização da base
“Conheço o Wesley Carvalho (técnico da base do Palmeiras) desde 2000, quando nos enfrentamos em torneio sub-17. Ficamos amigos. É um grande profissional e certamente o entendimento que temos vai melhorar essa relação entre o trabalho do profissional e da base. O que eu penso sobre aproveitamento de jogadores da base e sempre que o fiz, desde o Grêmio, você precisa abrir espaço para o aproveitamento de jogadores no grupo principal. Subir jogadores e colocar aí é fácil. Mas se você jogadores renomados, contratados, com carreira segurança, é mais difícil você usar um jogador da base, porque ele não tão seguro e pode oscilar mais. E ninguém quer ter oscilação em jogo decisivo. É preciso ter paciência. Vamos olhar para jovens como Angulo e Esteves. Domingo passado um menino da base do Cruzeiro, o Maurício, fez um gol e teve o comentário de que ele estava lá há 60 dias e não era usado. Mas da base para o profissional há uma certa defasagem. Tem que fazer com cuidado, mas acima de tudo com critério de composição de elenco, para que o jogador se sinta comprometido e útil”.

Adversários frágeis na sequência
“No Campeonato Brasileiro todo mundo pode ganhar de todo mundo. Sempre cito um exemplo relativamente recente. O América-MG estava rebaixado e os quatro líderes do campeonato foram jogar em Minas Gerais depois dele estar rebaixado e todos perderam. Se você tem mais qualidade, tem que ganhar, isso faz a diferença na tabela de classificação, mas não porque serão mais fáceis ou não, mas porque temos que voltar a ganhar jogos como esse, porque esse aproveitamento é que faz a diferença”.

Preparação para sábado
“Vou dirigir a equipe, sim. Vou estar no banco, acompanhado dos profissionais que estiveram aqui durante a semana, por uma questão de coerência. A partir de hoje a gente começa a direcionar a formação da equipe”.

Primeira meta no trabalho
“Solidez defensiva não quer dizer time reativo, quer dizer que o adversário tem dificuldade para entrar na sua defesa. Temos jogadores com capacidade para propor mais o jogo. Às vezes isso não se consegue de um jogo para o outro. Vamos fazer isso de forma segura. Preciso fazer esse caminho com calma, de maneira segura. Às vezes você quer fazer com muita pressa, e aí acontece o retrocesso, o jogador fica no meio do caminho. Mas eu não acho que o time tenha jogado jogos ruins. O time não teve resultado, caiu a proporção do resultado. Acho importante a ambição dos jogadores com relação ao que se quer construir. A partir da maneira que trabalhamos a partir da mesma ideia, o comprometimento vai ser maior”.

Saudades da relação com a imprensa
“Vamos ter uma boa relação, sim. Sou otimista (risos). A relação entre técnico e imprensa passa por bons e maus momentos. Isso passa pelo que acontece dentro do campo. Claro que tem a ver com o que acontece dentro de campo. Os resultados te deixam mais light, te deixam um pouco mais aberto, menos receoso de tudo. Não tenho hábito de enxergar muitos inimigos. Convivo bem com opinião contrária, concordo, discordo, porque tenho as minhas. Convivo bem, sei esquecer algumas coisas para não me deixar na defensiva. Não costumo enxergar inimigos onde não tem. Não acho que a imprensa seja meu maior adversário. Não vou proibir entrevistas exclusivas, porque esse não é o meu trabalho. Temos uma equipe para isso”.

Desafio ou oportunidade
“É uma grande oportunidade. Elas aparecem e você decide se as quer ou não. Rezar, todo mundo reza. Mas não basta. Depois que decidi vir aqui, preciso saber o que significa essa responsabilidade. Não basta só aceitar. A grande diferença é a maneira como você constrói e se dedica. A maneira como você se defende dentro do campo é o que faz diferença”.

Classificação

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