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Neymar está “livre” para assumir o protagonismo que tanto anseia na Copa e subir degraus na hierarquia do futebol mundial. Coadjuvante de Cristiano Ronaldo e Messi na festa da Fifa em que elegeu o melhor jogador do planeta em 2015 e 2017, sendo apontado como o terceiro colocado em ambas, o atacante da Seleção Brasileira agora se vê distante dos seus principais concorrentes na Rússia e grandes nomes do futebol no século XXI.

Essa distância não é técnica, mas espacial e momentânea. Afinal, enquanto o português e o argentino não conseguiram levar suas respectivas seleções além das oitavas de final na Copa do Mundo, Neymar tem a chance de superar o desempenho deles. O Brasil vai enfrentar o México naquela que pode ser vista como uma grande chance de o craque mostrar viver uma nova fase nesta segunda-feira (2/7), a partir das 11h, na Arena Samara.

Só passar das oitavas de final, evidentemente, não será suficiente para Neymar e a Seleção Brasileira. Mas é o primeiro passo após uma fase de turbulências, polêmicas e evolução do jogador, que há um ano trocou o Barcelona pelo Paris Saint-Germain em uma transação milionária, e colocou a Copa da Rússia como passo mais rápido e marcante da sua trajetória para se consagrar como o melhor jogador do mundo.

Porém, ainda que com a despedida precoce de Cristiano Ronaldo e Messi, Neymar não está sozinho na busca pela a Copa “pessoal”. Harry Kane vem liderando a Inglaterra, sendo o artilheiro da competição, com cinco gols, e Lukaku e Hazard têm se destacado pela Bélgica. Além disso, o francês Mbappé e o uruguaio Cavani, coincidentemente companheiros de Neymar no PSG, marcaram dois gols no último sábado e conduziram as seleções às quartas de final.

“Quando acabaram os dois jogos, fiquei com esse mesmo pensamento na cabeça. Que o nosso jogo será o do Neymar. Os dois foram fundamentais nas vitórias das suas seleções”, disse Thiago Silva, com a experiência de quem joga ao lado de Neymar na Seleção e no PSG. “A Seleção está equilibrada. Tem o momento certo dos atacantes aparecerem. A gente espera que seja um grande dia e que o Neymar esteja inspirado como os outros”, acrescentou.

Se os principais rivais ficaram para trás, a caminhada de Neymar, que ainda precisa de quatro triunfos e muito protagonismo, vem sendo construída com alguns percalços. O mais grave, a cirurgia no quinto metatarso do pé direito, que o levou a só voltar a atuar por 90 minutos completos na Copa do Mundo.

Na Rússia, já teve alguns problemas, como contra a Suíça, em que abusou do individualismo e sofreu dez faltas. Diante da Costa Rica, em que teve um pênalti anulado pelo uso do VAR (arbitragem de vídeo) e marcou o primeiro gol, desabando em choro. E na sequência, atacou os críticos nas redes sociais.

A partir desse jogo, porém, Neymar parece ter empreendido uma virada. Ainda que sem marcar gols, teve ótima atuação coletiva no triunfo sobre a Sérvia, perdendo poucas posses de bola e arriscando menos dribles espalhafatosos, além de ter sido solidário e praticamente não ter reclamado da arbitragem.

O craque exibiu felicidade e tranquilidade nos últimos dias: brincou com o filho Davi Lucca durante um treino regenerativo em Sochi e atender algumas crianças, com fotos e autógrafos, na chegada a Samara na madrugada de domingo (1º) para o confronto com o México. “Nós sabemos o preço que ele pagou para chegar e retomar esse nível”, disse Tite. “Agora, sim, ele atingiu o alto nível”, celebrou o treinador.

Para esse crescimento, pesaram os conselhos do pai, conversas com o treinador e com Thiago Silva, além da recuperação total da fratura no quinto metatarso do pé direito, confirmando a aposta de Tite de que ele só estaria plenamente em forma no terceiro jogo do Brasil na Rússia. O quarto será contra o México. E a expectativa é de que ele evolua mais e comece, de fato, a construir a sua Copa. “Essa evolução nos deixa feliz porque o trabalho realizado o fez crescer na competição. Espero que ele continue evoluindo cada vez mais”, avisou Fábio Mahseredjian, preparador físico da Seleção.