Favorito a vexame: como Clippers desperdiçou time com potencial de campeão

Mesmo com Kawhi Leonard, Paul George e um elenco profundo, franquia de Los Angeles não foi páreo para o valente Denver Nuggets

atualizado 16/09/2020 16:30

Douglas P. DeFelice/Getty Images

Uma rápida pesquisa sobre guias e previsões antes da temporada 2019/20 da NBA começar mostrava que 10 entre 10 analistas colocavam o Los Angeles Clippers entre os favoritos ao título. Afinal, o time havia adquirido o recém-campeão e MVP das finais Kawhi Leonard e Paul George, um dos melhores jogadores da temporada passada, para se juntar a um profundo e raçudo elenco, que havia incomodado o Golden State Warriors nos playoffs da temporada passada.

Pulemos para setembro. Segunda rodada dos playoffs do Oeste. Clippers e Denver Nuggets disputam o Jogo 7, após a franquia de Los Angeles abrir 3 x 1 na série. No fim, a brava franquia do Colorado, liderada por Nikola Jokic e Jamal Murray, venceu por 104 x 99 e impediu o adversário de chegar à primeira Final de Conferência da sua história.

Então, o que aconteceu? Como uma equipe tão favorita consegue estragar uma temporada em que parecia, no papel, tão dominante e cheia de potencial?

É tentador colocar os erros de análise na parada forçada pela pandemia, na bolha, nos jogos sem torcida. Porém, os problemas do Clippers já vinham sendo anunciados ao longo da temporada regular.

Em janeiro, após uma derrota particularmente embaraçosa para o Memphis Grizzlies, o pivô Montrezl Harrell afirmou que o Clippers ainda não eram um ótimo time. “Nós precisamos acordar. Acabamos de perder por mais de 20 pontos, em nossa casa, fomos envergonhados. Isso deveria acordar a qualquer um”, palavras que, hoje, soam estranhamente premonitórias.

A reclamação de Harrell foi uma janela aberta em diversas frustrações experimentadas pelos Clippers ao longo da temporada. A chegada de Kawhi e George pode ter elevado o teto da franquia como candidato ao título, mas também entrou em choque com a filosofia de time raçudo, brigador que luta até o fim que estava sendo construída.

Como publicada em uma matéria do The Athletic poucos dias após o “desabafo” de Harrell, diversos jogadores estavam tendo problemas com o percebido tratamento preferencial dado às novas estrelas e com as constantes ausências de Kawhi para se poupar. Leonard por sua vez, se defendeu afirmando para o time não ter pressa de vencer “esses jogos agora. Guardem essa urgência para quando estivermos nas trincheiras. A pressão não está em nós agora”.

A guerra chegou e o time não soube lidar bem com a pressão das trincheiras. Doc Rivers, depois de fazer um dos seus melhores trabalhos como treinador na temporada passada, parece ter confiado demais na capacidade de decisão de seus dois All-Stars e assumiu uma postura passiva, falhando em fazer os ajustes necessários para combater os Nuggets.

O futuro

Poucas vezes na história da NBA super times e elencos foram montados e conseguiram vencer logo de cara. O problema é que os Clippers estão correndo contra o tempo devido ao contrato oferecido às suas duas estrelas.

Kawhi e Paul George assinaram por apenas dois anos com a opção de renovarem para um terceiro. Além disso, na troca por Paul George, os Clippers abriram mão de cinco escolhas de primeira rodada, além do jovem talento Shai Gilgeous-Alexander.

Com a folha salarial abarrotada e sem formas de renovar o time pelas próximas temporadas, o projeto Kawhi Leonard/Paul George, com Doc Rivers — até o momento –, no comando, precisará dar certo com as peças atualmente disponíveis. Caso contrário, o Clippers poderá retornar rapidamente à velha e indesejada posição de “o outro time de LA”.

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