Nova safra de séries de fantasia da Netflix abordam “outro lado” da igreja

Coincidentemente duas recentes produções tem a Igreja Católica como pano de fundo de suas tramas. Seria uma tendência?

Nos últimos meses, duas novas séries da Netflix estiveram presentes de forma quase fixa no ranking das mais assistidas da plataforma: Warrior Nun e Cursed: A Lenda do Lago, estrelada por Katherine Langford. No entanto, um tema em comum nas duas séries chama atenção, o fato de ambas retratarem um “outro lado” da Igreja Católica. A instituição aparece em meio a um mundo de fantasia e envolvida em tramas políticas.

Em um contexto que trata da religião com ares mitológicos, Warrior Nun acompanha uma jovem que ressuscita em um necrotério com superpoderes e descobre fazer parte de uma seita supersecreta formada por freiras.

Já Cursed, série baseada em quadrinho homônimo de Frank Miller, dá uma nova visão para lenda do Rei Arthur e da espada de Excalibur. Na produção, Nimue (Katherine Langford) é uma jovem poderosa que recebe a missão de entregar a famosa espada para o lendário mago Merlin.

Inseridas em contextos mitológicos, ambas as séries utilizam de suas tramas para abordarem questões ligadas aos bastidores da igreja e a temas como intolerância religiosa – que em Cursed fica evidente através dos Paladinos Vermelhos em sua cruzada contra os feéricos, os seres fantásticos da produção.

Tratar de questões ligadas ao tema não é algo propriamente recente, seja em produções de fantasia ou baseados em fatos. No ano passado, o filme Dois Papas – também da Netflix – do diretor brasileiro Fernando Meirelles – explorou em sua trama os bastidores do Vaticano, através da relação entre o Papa Bento XVI e o Papa Francisco. O longa concorreu a categoria de melhor filme do Oscar 2020.

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Cursed tem Katherine Langford como protagonista
Paladinos Vermelhos puxam o lado obscuro da Igreja em Curses
Gustaf Skarsgård é Merlin
Warrior Run. Uma jovem órfã acorda no necrotério com superpoderes e descobre que é a portadora do Halo, escolhida por uma seita secreta de freiras caçadoras de demônios. Série baseada nos quadrinhos Ben Dunn

Então, abordar estes temas seria uma tendência no mercado de filmes e séries? De acordo com a cineasta e ex-professora da Universidade de Brasília (UnB), Dacia Ibiapina, a resposta é sim. “Nesses assuntos da esfera pública, que envolvem o manejo do poder, seja religioso ou político, explorar bastidores torna o filme ou a série mais interessantes”, avaliou a especialista.

“Desperta curiosidade nos potenciais espectadores, independentemente de ser igreja católica ou não. É uma forma de humanizar as figuras de poder. Especialmente agora na pandemia da Covid-19, quando estamos todos nos bastidores ou nas lives. A esfera privada e seus bastidores, passam a se sobrepor à esfera pública”, completou.

Tanto Warrior Nun, quanto Cursed: A Lenda do Lago, estão em suas primeiras temporadas e já estão disponíveis na Netflix.