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Em tempos de discursos intolerantes, “L, o Musical” celebra o amor entre mulheres com uma narrativa que recusa a panfletagem. Até dezembro de 2017, quando a atração passou pelo Rio de Janeiro, mais de 12 mil pessoas já tinham visto a montagem, estrelada por seis atrizes, entre elas Ellen Oléria e Elisa Lucinda.

Produção brasiliense dirigida pelo dramaturgo, jornalista e colunista do Metrópoles Sérgio Maggio (“Eu Vou Tirar Você deste Lugar – As Canções de Odair José”), o espetáculo estreou na capital em agosto, passou pelo Rio no fim de 2017 e agora cumpre temporada em São Paulo (até 26 de fevereiro). De 15 de março a 9 de abril, “L” encerra a turnê em Belo Horizonte.

Em todas as quatro capitais, o musical foi apresentado nos palcos teatrais do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

Maggio conta que, ao longo das apresentações, houve pouca manifestação preconceituosa com o espetáculo. Pelo contrário. Teve até pedido de casamento (no Rio) e de namoro (em Brasília) em algumas sessões.

 

“A gente tem uma discussão que afeta as pessoas, mas pelo lado do amor”, explica. “O que despertou um pouco de ódio em alguns foi a ausência de homens no palco. O musical quebra essa coisa voyeur, já que, numa relação de duas mulheres, o homem é excluído. Isso mexe com o machismo, o sexismo”, analisa o diretor.

A aclamação rendeu uma enorme quantidade de reações positivas nas plateias. Mulheres voltando para ver “L” mais uma vez, presença de famílias inteiras, pais acompanhados pelas filhas. “O espetáculo mostra personagens que só querem se amar”, comemora Maggio.

No começo de 2018, a produção do musical foi procurada por militantes pedindo ajuda. “Nos primeiros dez dias de janeiro, foram assassinadas oito mulheres lésbicas. As ativistas pediram que o espetáculo divulgasse essa barbárie. Acho que ele (o “L”) ganhou um lugar de plataforma, de porta-voz. O que está deixando a gente muito feliz.”