Michael Sullivan revive legado de Cassiano em A Lua e Eu: “Um mestre”

Com vocais originais e produção assinada por Lincoln Olivetti, clássico da MPB traz à tona legado do cantor falecido em maio deste ano

atualizado 08/07/2021 14:08

Divulgação

Morto em maio deste ano, Genival Cassiano dos Santos foi um dos formadores da identidade soul brasileira. Autor de composições imortais como Primavera e Eu Amo Você, ambas gravadas por Tim Maia, o artista agora tem sua obra revisitada e disponibilizada nas plataformas digitais por um dos seus principais parceiros em vida, e também ícone da MPB: Michael Sullivan.

O artista pernambucano relança A Lua e Eu e revive um dueto gravado originalmente em 1997, para o seu álbum Caminhos do Coração. Além de contar com os vocais originais de Cassiano, a canção tem arranjo e produção musical do tecladista e maestro premiado Lincoln Olivetti, falecido em 2015.

“Eu conheci o Cassiano assim que eu cheguei no Rio de Janeiro. Eu tive dificuldades, morei muito tempo na rua. Depois de um tempo, conheci Cassiano e Tim [Maia] e os dois me mostraram muito a ideia da música black no mundo, a Motown… sorte minha porque aprendi com eles a cantar e a tocar esse gênero. Por isso, Cassiano é tão importante na minha história de vida e de canções”, lembra Sullivan.

A Lua e Eu foi um dos principais sucessos de Cassiano e chegou a ser regravada por nomes como Bebeto, Claudio Zoli, Emilio Santiago (1946 – 2013), Izzy Gordon, Leo Jaime, Nana Caymmi e Rodrigo Faro, nos tempos em que o apresentador da Record se arriscava nos palcos. “Decidi relançar pois foi uma música que nos batizou. A partir de 1976 fomos desenvolvendo nossas carreiras. Mesmo diante de adversidades, pudemos ter sentimentos de vitória na nossa caminhada na música. Cassiano é um mestre”, explica o cantor.

Com o relançamento digital de A Lua e Eu, Michael Sullivan acredita que a nova geração terá a oportunidade de conhecer a produção de Cassiano. “Os jovens de hoje são plurais, mais abertos a todos os estilos musicais. Com a facilidade de ouvir pelo telefone, as canções têm o papel de entregar sentimentos ainda mais fortes para os jovens, e nisso Cassiano é mestre”, afirma.

O intérprete ressalta ainda a importância das artes, em especial da música, para acalentar as pessoas durante a pandemia. “Esses anos foram ressignificados pelas nossas emoções e sentimentos. A saudade vista pela janela tem proporções lunares em perdas, em sorrisos não dados, em vínculos perdidos, no vazio abismal dos abraços. É preciso fazer música e criar um ambiente de luz, força e esperança”, pondera.

Cassiano
Cassiano foi um dos principais intérpretes e compositores da música brasileira. Sua obra serve de referência para a nova geração da black music do país
Documentário

Sullivan confirma que, em breve, terá sua trajetória de mais de 30 anos de carreira registrada em uma série para o Globoplay. A produção, ainda sem data de estreia, contará com direção dos jornalistas Pedro Bial e André Barcinski.

O cantor também prepara um disco de inéditas com lançamento previsto ainda para 2021. “E ele vem com vários feats incríveis”, promete. Entre as participações, está a da cantora Liniker, uma das mais importantes representantes do soul brasileiro da atualidade, na opinião de Sullivan. “Identifico uma geração muito disposta a criar e recriar coisas boas, pessoas desprendidas de rótulos”, elogia o veterano.

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