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Diversidade e Empoderamento: Satélite 061 fala de política e cultura

O Metrópoles conversou com Elza Soares, uma das atrações do Festival que reúne, neste sábado (24/9) e domingo (25/9) nomes como Gal Costa, Fióti, Di Mello, Baiana System e As Bahias e a Cozinha Mineira

Marcos Hermes/Divulgação
Thais Rodrigues
 

O público de Brasília já se prepara para mais uma edição do Satélite 061. Com o tema “Diversidade e Empoderamento”, o quinto Festival agita a cidade com nomes da música nacional que prometem representar a complexidade do povo brasileiro. O evento conta com dois palcos diferentes, na Torre de TV, para receber bandas e DJs, e ainda palcos com apresentações teatrais no Sesc Garagem (913 Sul), Torre de TV e no Centro Universitário IESB da Asa Sul.

Trazer esta vertente política para um ambiente mais leve e fluido é a principal proposta da idealizadora do projeto, Marta Carvalho. Questões como negritude, racismo, homofobia e violência contra a mulher estarão presentes na heterogênea programação do festival . Dividido entre Palco Radar, Satélite 061 e Radiodifusão, o Satélite enriquece o cenário cultural local.

Ricardo Palito/Coletivo Expressão

No Palco Radiodifusão serão mais de 19 horas de música passeando, dentre outros ritmos, pelo reggae, dancehall, funk, soul, dubstep, afrobeat. Com curadoria de DJ Donna (foto acima), a pista ocupará o Mezanino da Torre de TV. Entre os artistas convidados para a área estão os DJs MF e André Rockmaster, Anaum, Jeff Bass, Mauro e Leandro Vitrola.

A mulher negra estará bem representada com a carioca Tamy, além de Donna e Janna. A pista vai ter ainda o DJ Jamaika, residente da Makossa, e o Coletivo Confronto Sound System.

Reprodução/Facebook

No espaço homônimo ao festival, o Palco Satélite 061, a cultura afro-brasileira está representada por nomes como Evandro Fióti (foto acima), com participação especial de seu irmão, Emicida. O músico Di Melo, traz a batida do soul music. Com pegada underground, o Baiana System lança seu segundo disco, “Duas Cidades”, em Brasília. Guizado, representante do nu jazz brasileiro, volta a Brasília com o disco “O Voo do Dragão”.

Já partindo para o público LGBT, com duas transgêneros no palco, vem o grupo As Bahias e a Cozinha Mineira apresentando o disco “Mulher”. Misto de música e teatro, o show promete mexer com as referências estéticas do público. Totalmente gratuitos, os shows contam também com as musas Gal Costa e Elza Soares que representam a mulher e tratam em suas canções sobre violência de gênero e sexualidade.

Elza Soares

Em entrevista ao Metrópoles, Elza Soares, que se apresenta no sábado (24/9), respondeu à questões como racismo, violência contra a mulher e o show que fará no Satélite 061:

O evento Satélite 061 tem como tema “Diversidade e Empoderamento” Como você percebe isso? O impacto social e também na cultura?

Acho que “diversidade” e “empoderamento” são dois termos que entraram na moda agora e são muito importante, significativos mesmo. Acho que atualmente temos mais espaço para tocar em assuntos como estes e temos que usá-lo. O disco “A Mulher do Fim do Mundo” é um grande exemplo disso. Fala sobre violência doméstica, racismo, entre tantos outros assuntos urgentes.

O Brasil é uma sociedade que tem fama de ser alegre e receptiva com todas as pessoas, mas existe muito preconceito velado. Gostaria que você falasse um pouco sobre isto.

O racismo é uma coisa terrível, assim como o machismo e a homofobia. E acho que que o preconceito velado deixou de ser tão velado. Na internet e nas ruas, acontece muita coisa horrível.

Seu último trabalho “A Mulher do Fim do Mundo”, mostra a expressão de mulheres, não só do Brasil, como também do mundo. O que falta para que as mulheres vivam com dignidade?

A mulher tem que se empoderar, não pode ter medo. A música “Maria da Vila Matilde”
é sobre isso, fala sobre violência doméstica, é uma denúncia. E tem que denunciar. Tem mulher que sofre muito quieta e num pode. Tem que denunciar.

O que o público de Brasília poderá esperar do seu show e quais sucessos serão interpretados?

Vai ser um show lindo. Venho rodando o país com esse show, sempre lotado e com um discurso tão importante. Fico muito emocionada em ver a receptividade do público e em Brasília não vai ser diferente. Vou cantar as músicas de “A Mulher do Fim do Mundo” e uma surpresa.

Qual a importância de um evento que trará, gratuitamente, Elza Soares, Gal Costa e representantes do hip hop, cultura negra nacional, bandas de compostas por transexuais para a capital do país?

É muito significativo ter um evento com uma programação como esta. É uma questão de representatividade. Quantas pessoas vão se identificar ali e se sentir representado.

Confira a programação do Satélite 061

 

 

 

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