Margarida Patriota: “Com o tempo, senti necessidade de mudar”

A escritora, apresentadora e professora focou por muito tempo em ficção para jovens, mas recentemente expandiu seus horizontes

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atualizado 31/08/2019 17:14

Com o lançamento de seu novo livro, Cárcere Privado, Margarida Patriota acumula 29 publicações. Entre elas, romances, contos, ensaios e críticas literárias – há poucas coisas que a autora ainda não fez.

Nascida no Rio de Janeiro e radicada em Brasília, a autora ainda comanda há 19 anos o programa de entrevistas Autores e Livros, da Rádio Senado Federal. Ainda por cima é escritora membro da Academia Brasiliense de Letras desde 1990. Margarida ainda lecionou por 28 anos Teoria da Literatura, Literatura Brasileira e Literatura Francesa (da qual é Mestre e doutora) no Departamento de Letras da Universidade de Brasília (UnB).

Filha de diplomata, ela já morou na Suíça, Estados Unidos, América Central e Canadá antes de voltar a morar no Brasil de vez. Em entrevista ao Metrópoles, afirma que teve de se empenhar para se livrar dos “estrangeirismos que permeavam [seu] português”.

Margarida conta que, apesar de ter publicado 15 livros de ficção para jovens, ela desejava ampliar seus horizontes literários como escritora. “Com o tempo, senti necessidade de mudar”, explica. “De escrever textos literariamente mais elaborados, bem como poesia. Meu livro Cárcere Privado resulta desse esforço de alargar minha experiência literária”. A autora também publicou seu primeiro livro de poesias, Laminário, há pouco tempo.

Os livros para jovens que Margarida escreveu foram acolhidos por grandes editoras, como a FTD e Saraiva. Ela ainda ganhou o Prêmio João de Barro de 2006 pelo juvenil Uma Voz do Outro Mundo e o Prêmio Ganymedes José de Literatura Juvenil da União Brasileira dos Escritores (UBE), em 2011, pelo romance Enquanto Aurora. “Penso que escrever para o público de leitores em processo de formação pede certa responsabilidade pedagógica, quando não moral, por parte do autor”, adianta Margarida.

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A escritora carioca lecionou durante 28 anos Teoria da Literatura, Literatura Brasileira e Literatura Francesa no Departamento de Letras da Universidade de Brasília (UnB)

“Os jovens se interessam por personagens jovens, de maneira que escrever para o público juvenil também pede lidar com protagonistas jovens”, explica a autora. Quanto à diferença entre produzir livros juvenis e livros para o público adulto, a linguagem é a principal diferença: “Dirigir-me ao público adulto permite o uso de um vocabulário ampliado, de referências culturais mais diversificadas e de uma dicção mais pessoal e irônica”.

Desde que a leitura de autores nacionais tornou-se obrigatória no currículo dos ensinos Fundamental e Médio, “A literatura para jovens tem muita demanda”, segundo a autora.

“Dizem que o livro está morrendo, mas eu, por enquanto, não acredito. Os amantes do livro não deixarão que isso aconteça”.

Margarida Patriota

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