O carnavalesco Clóvis Bornay é tema de exposição em cartaz no Museu da República do Rio
Mostra celebra o centenário de nascimento de Bornay, que foi também museólogo, ator, cantor e gay assumido em tempos não tão liberais
atualizado
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O centenário de nascimento do museólogo e carnavalesco brasileiro Clóvis Bornay será comemorado com uma grande exposição no Rio de Janeiro. “Clóvis Bornay – 100 Anos” será inaugurada na noite desta terça (26/1) e mostra ficará aberta ao público até abril no Museu da República, no bairro do Catete.
Nascido no município de Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro, no dia 10 de janeiro de 1916, Bornay foi um personagem “importantíssimo no mundo dos museus, da museologia e do carnaval”, lembra o curador da mostra, professor Mário Chagas, coordenador técnico do Museu da República.
A exposição reúne três fantasias com as quais ele ganhou desfiles de luxo em carnavais, croquis, fotografias, livros, manuscritos e homenagens recebidas. Entre as peças, o destaque é o original do enredo “Lendas e Mistérios da Amazônia”, que Clóvis Bornay fez para a Portela em 1970 e que deu à escola o título de campeã do carnaval.
Múltiplas faces
Filho de mãe espanhola e pai suíço, Clóvis Bornay era o caçula de 12 irmãos. Foi funcionário do Museu Histórico Nacional, célula da qual se originou o Museu da República. “Ele trabalhou no Museu da República supervisionando montagens de exposições e fez nos jardins uma representação da primeira missa rezada no Brasil”, informou o curador.
Mário Chagas destacou as múltiplas faces de Clóvis Bornay. “Foi ator, cantor, museólogo, carnavalesco e gay”. Foi também idealizador do Baile de Gala do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1937, onde ocorreram os primeiros desfiles de fantasias de luxo e de originalidade no carnaval. Para ele, o museu tinha de ser democrático e ir até o povo.
Assistente da curadoria, Patrícia Fernandes lembrou que a exposição está associada à comemoração dos 100 anos do samba. Dividida em três salas, a mostra apresenta Bornay como profissional de museu, mestre de fantasias e como pessoa de múltiplas formas de se expressar. “Na verdade, a gente faz uma linha do tempo dessa pessoa que foi Clóvis Bornay”.
Casamento de generosidade
Homossexual assumido, Bornay decidiu casar no fim da vida com uma mulher que trabalhava para ele, disse Mário Chagas. “Foi um casamento de generosidade porque, com isso, ele protegeu a mulher e suas filhas Patrícia e Tainá”. No dia 9 de outubro de 2005, Clóvis morreu de parada cardiorrespiratória, no Hospital Souza Aguiar, para onde foi levado com desidratação e infecção intestinal.
Para o professor Mário Chagas, a frase mais célebre de Clóvis Bornay deixa claro quem ele era: “Ser museólogo não é nada. Mais difícil é ser Clóvis Bornay todos os anos, nas passarelas”
