Tudo é história e cultura, inclusive o lixo que se produz. Em um casebre com três cômodos está sendo contada a história do Distrito Federal e de outras regiões do Brasil por meio de objetos descartados no lixo. Uma viagem ao passado pode ser vivida e sentida entre as 580 peças que compõem acervo do Museu da Limpeza Urbana situado, desde 1996, na usina de triagem de lixo de Ceilândia, responsável pela coleta dos resíduos também de Taguatinga e Samambaia.

Mantido pelo Serviço de Limpeza Urbana (SLU), o Museu foi idealizado pelos próprios garis que na época recolhiam objetos interessantes, tanto durante o trabalho de rua, quanto no processo de separação do lixo nas esteiras da usina. “Os garis eram servidores do SLU, eles achavam objetos e guardavam aqui. Aí um dia o Cícero Lacerda, que era gari, mas foi promovido a chefe da usina, decidiu montar este espaço”, conta Eleuza Ataíde, agente de resíduos sólidos da empresa.


Caminhar pelos corredores estreitos do local é observar a passagem do tempo por meio da tecnologia. Câmeras fotográficas e filmadoras, televisões, computadores, máquinas de escrever e de costura. Há um relógio do início do século 19, um piano e esculturas montadas com peças de metal. Os brinquedos antigos remetem às infâncias dos adultos e também se tornam a diversão das crianças que visitam o espaço.

Escolas e instituições de ensino são os que mais visitam o espaço. “A ideia é falar sobre educação ambiental, a importância do consumo e do descarte consciente dos resíduos e mostrar que o lixo também conta histórias”, diz Rondinelle Mota, assistente da assessoria de gestão ambiental.

Ali, a memória do DF se mistura a narrações da vida dos próprios moradores e com a trajetória do SLU. As paredes estão repletas de fotografias das décadas de 1980 e 1990 da mesma usina de compostagem, inaugurada em 1986 e em funcionamento até hoje. “Atualmente é muito difícil encontrar objetos de valor no lixo”, explica Jarbert, supervisor da cooperativa de catadores parceira Apicorp.

Nem todos os objetos expostos são frutos do trabalho dos garis. Alguns são doações ou obras produzidas por estudantes da Universidade de Brasília. Na área externa, há esculturas feitas por servidores e voluntários do SLU. De uma maneira amadora, a coleção foi crescendo e sendo organizada por Dona Maria. “Ela trabalha aqui desde o início, é o coração desse local, mas está de licença e prestes a se aposentar”, lamenta Rondinelle.

Atualmente, a equipe se esforça para implementar melhorias, como um espaço maior, a catalogação das peças e a higienização de forma adequada do acervo. O Museu da Limpeza Urbana funciona de segunda a sexta, das 9h às 17h, no Setor P Sul, em Ceilândia. A visitação gratuita pode ser agendada pelo telefone 3376-1043.