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Este filme, Youth, combina tanto com o filme prévio de Paolo Sorrentino, A Grande Beleza, que os dois poderiam trocar de título e mesmo assim ficarem completamente adequados. Youth também é encabeçado por um homem na terceira idade: Michael Caine vive Fred Ballinger, um famosíssimo compositor e condutor inglês que, aposentado, passa férias no seu resort suíço preferido. Junto com ele estão sua filha/assistente Leda (Rachel Weisz), que acaba de se separar e Mick (Harvey Keitel), diretor de cinema veterano e melhor amigo de Fred.

Apesar de todos os personagens terem desejos e vontades, não existe aqui uma narrativa conflituosa e unificada, mas sim vários questionamentos existenciais que precisam ser mastigados, entendidos e talvez até solucionados. Fred recebe um emissário da rainha da Inglaterra, que quer uma performance exclusiva do maestro ( Fred nega por razões pessoais). Mick traz um grupo de jovens roteiristas para finalizar o roteiro de seu filme final, que servirá como seu “testemunho”. E Leda tenta fazer o pai reconhecer sua negligência e seus defeitos como pai e marido.

Além destes principais temos Jimmy Tree (Paulo Dano), ator que pesquisa um novo personagem para escapar do blockbuster que o tornou famoso, uma modelo que acaba de vencer o concurso de Miss Universo e, talvez, até Diego Maradona. Talvez exista algo sobre hotéis suíços nos Alpes que representem os questionamentos da humanidade perante a própria existencia, visto que é o mesmo habitat de clássicos como A Montanha Mágica.

Relegados aos papeis coadjuvantes, os atores da terceira idade não encontram papeis interessantes em Hollywood. Michael Caine, brilhante desde o início da carreira, coleciona blockbusters em que dificilmente tem que mostrar serviço. Harvey Keitel oscila entre comédia e crime. Dificilmente alguém encontra um filme com um personagem central de 80 anos. Só se for para se apaixonar por uma ninfeta de 20 anos. Youth vai figurar como o melhor trabalho destes atores em décadas. Não por que ficaram ruins, mas sim porque seus papeis ficaram.

Sorrentino sempre teve um olhar masculino, e aqui não falta. As conversas são amplamente afetadas por isso, se tratando de reminiscencias da vida sexual e da ambição profissional. O poster mesmo já retrata a nudez da personagem mais jovem—justamente a Miss Universo. Mas o toque visual do diretor é primoroso e o olhar de sua camera é um dos mais interessantes da atualidade. E para não dizer que é tudo testosterona, Jane Fonda aparece, de surpresa, para arrasar.

 

 

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