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Algo estranho acontece em The Valley of Love—algo efêmero e incerto, meio sem explicação. Isabelle Huppert e Gerard Depardieu vivem um casal divorciado visitando o famoso Vale da Morte, na California, após a morte de seu filho adulto. Michael, o falecido, escreveu uma carta para o pai e outra para a mãe em que coloca instruções precisas para um reencontro. Se o Isabelle e Gerard estiverem juntos no Vale da Morte, num certo dia, numa certa hora, seu filho reaparecerá do além-túmulo.

A premissa parece interessante, mas o resultado fica um tanto óbvio: a não ser que o diretor queira fazer uma propaganda do espiritismo, o máximo que podemos esperar sobre a questão da aparição é uma ambiguidade. Definindo isto, vemos que o que o filho suicida realmente quer é que os pais se reencontrem e busquem um entendimento entre si.

O filme inteiro depende de seus dois astros principais, os dois monumentos da dramaturgia francesa que são Isabelle Huppert e Gerard Depardieu. Fica tão dependente deles que a única coisa fabricada em seus personagens parece ser esse casamento antigo. Além disso, parecem falar de suas próprias figuras.

O que os dois astros fazem aqui é mais complicado do que parece. Estão atuando muito bem e o relacionamento entre os dois muda durante o filme—ao final, como em todo arco dramático, os personagens não são os mesmos do começo do filme. E, enquanto Depardieu parece não estar se esforçando, no terceiro ato fica claro que esta é uma de suas melhores performances em anos, especialmente no final.

The Valley of Love não tem nada demais, e não marcará nada na história do cinema, mas pelo prazer de ver estes dois atores em ação foi o suficiente.

 

 

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