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O Cine Drive-in, último de sua “espécie” no Brasil e na América Latina, não corre mais risco de extinção desde o fim de 2017 – quando a lei que tornou o cinema patrimônio cultural do Distrito Federal, proposta pela deputada distrital Luzia de Paula (PSB), foi aprovada pela Câmara Legislativa e, depois, sancionada pelo governador Rodrigo Rollemberg (PSB).

Na prática, a medida governamental impede que o cinema a céu aberto seja fechado, removido ou danificado. Agora, a proprietária, Marta Fagundes, funcionária do Cine Drive-in desde 1975, pensa em levar adiante uma série de planos para revitalizar instalações e atrair patrocinadores.

 

Uma constante no cinema é aproveitar os filmes mais aguardados da temporada e as datas comemorativas, como longas da franquia Star Wars e as festividades pop do Halloween, para abrigar eventos temáticos com presença de food trucks e cosplayers.

A médio e longo prazo, Marta pensa em fazer reformas na entrada e nos banheiros. Afinal, o espaço é de grande porte: 15 mil metros quadrados de área asfaltada e capacidade para receber 500 automóveis. Outros projetos, mais complexos, envolvem conforto e criação de novos atrativos para quem frequenta o local.

“A gente tem intenção de fazer um deck para que as pessoas assistam aos filmes em cadeiras de praia e tenham apoio para a lanchonete, numa espécie de vagão de trem. Seria no fundo do cinema. As pessoas poderiam sair dos carros e se sentar por lá. Queremos também fazer um museu num contêiner e, em cima dele, uma sala VIP, com vidro fechado, som e poltronas. Nele, poderíamos mostrar o início do cinema, fotos, o antigo projetor”, enumera.

Há ainda um outro ambiente que carece de atenção: um salão localizado embaixo da tela. “Era uma churrascaria. Poderia ser reformado para termos festas casadas com o cinema. Não queremos demolir”, explica Marta, coordenadora de uma equipe com 10 funcionários. A missão, agora, é angariar patrocinadores.

Hoje, toda a receita do drive-in candango vem da bilheteria e da lanchonete. “Como só funcionamos à noite, temos três sessões diárias. No horário de verão, perdemos uma delas, e isso diminui o faturamento”, conta.

História de sobrevivência
Aberto em 1973, o Cine Drive-in comemora 45 anos de funcionamento em agosto de 2018. Ao longo das décadas, passou por crises e ameaças de fechamento. Talvez a mais severa delas tenha ocorrido entre 2014 e 2015, quando Brasília esteve prestes a receber uma etapa da Fórmula Indy.

Localizado dentro da área do Autódromo Nelson Piquet, o Cine Drive-in correu risco de demolição por causa de uma reforma no complexo de automobilismo. Com rumores de que o cinema seria demolido devido a essas obras, uma petição on-line foi criada pelo movimento Urbanistas por Brasília, reunindo quase 20 mil assinaturas.

Resultado: prevista para acontecer em março de 2015, a corrida foi cancelada por decisão da Terracap, seguindo recomendação do Ministério Público – a licitação gerou suspeitas de danos aos cofres do GDF.

Criador do Urbanistas com um grupo de amigos arquitetos formados na Universidade de Brasília, Cristiano Nascimento vê na lei distrital – a qual estava parada, à época do imbróglio envolvendo o autódromo – uma forma de “definir que o espaço é importante”. “Brasília é uma cidade nova e procura sua cara, algo que só tem aqui. Por isso criamos essa relação de tanto afeto com o lugar”.

Para a parlamentar Luzia de Paula, autora do projeto de lei, a medida também ajuda a consagrar um hábito que só existe na capital brasileira. “Assegura a cultura do brasiliense de ver cinema ao ar livre.”

 

 

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