Flashes de Gramado: ausência de Zé do Caixão e protestos contra Temer

Plateia indiferente à morte de Gene Wilder e desfalque de filmes também marcam esta 44ª edição. As sessões prosseguem até sexta (2/9) e no sábado será realizada a cerimônia de premiação

Um dos principais eventos de cinema brasileiro e latino realizados em nosso país, o Festival de Gramado chega nesta quarta-feira (31/8) ao sexto dia de sua 44ª edição. As sessões prosseguem até sexta-feira (2/9) e no sábado será realizada a cerimônia de premiação. Confira alguns flashes do que rola no Palácio dos Festivais, local onde a competição acontece tradicionalmente:

  • Desaconselhado por seu médico, José Mojica Marins, o Zé do Caixão, não foi receber seu prêmio, na noite de terça-feira (30/8). Marins foi representado pela filha, Liz Marins (foto abaixo). Ela recebeu por ele o Troféu Eduardo Abelin, que leva o nome do pioneiro gaúcho e recompensa uma personalidade, preferencialmente um diretor, que tenha contribuído para o desenvolvimento da arte e da indústria do cinema no Brasil.

  • Toda noite, o palco do Palácio dos Festivais tem sediado protestos. O alvo preferido é sempre o presidente em exercício, Michel Temer. Na primeira noite da competição, no sábado (27/8), a equipe de “Black-Out” protestou contra uma decisão do governo interino que retira do Incra a atribuição de regularizar as terras dos quilombolas, e o filme trata justamente da defesa do território, do racismo e da invisibilidade especial.
  • Na segunda-feira (29/8), o protesto foi de Ingrid (foto no alto da página), mulher trans que interpreta o longa de Maick Hannder que leva seu nome. Foi uma fala forte, denunciando a violência contra as trans que todo dia alimenta as estatísticas no Brasil.
  • A mostra competitiva de longas latinos começou desfalcada na segunda-feira à noite. Estavam previstos dois filmes — o cubano “Espejuelos Oscuros”, de Jessica Rodríguez, e o uruguaio “Las Toninas Van al Este”, de Gonzalo Delgado e Verónica Perrotta. Houve um problema com a cópia de “Las Toninas” e o filme foi substituído por “Mammal”, de Rebecca Daly, que já havia sido apresentado à tarde, em presença da atriz Rachel Griffiths.

  • Para apresentar “Mammal”, Rachel Griffiths subiu ao palco acompanhada de Rubens Ewald Filho, da comissão de seleção de Gramado. Rubinho, como é conhecido, disse que a atriz estava muito emocionada com a notícia da morte de um de seus ídolos, Gene Wilder. A plateia permaneceu impassível. Rubinho exasperou-se: — “Gene Wilder! Vamos aplaudir, gente.” O aplauso teve de ser arrancado a fórceps, para um artista que, como disse Mel Brooks no Twitter, abençoou tantos filmes (comédias) com sua mágica.