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Rio de Janeiro – Jovem diretora chilena, Dominga Sotomayor Castillo exibe no Festival do Rio 2018* seu terceiro longa-metragem, Tarde Para Morrer Jovem. O filme tem carreira destacada em mostras internacionais, sobretudo em Locarno (Suíça), de onde saiu com o prêmio de direção.

Com uma fotografia ao mesmo tempo ensolarada e esmaecida, a cargo do peruano Inti Briones (Exilados do Vulcão, Vazante), a cineasta acompanha um grupo de famílias que vivem numa comunidade isolada no Chile, perto da região dos Andes. O ano é 1990, logo após a ditadura.

A meio caminho entre hippies e naturistas, os moradores desse espaço aproveitam os dias ao ar livre com afazeres cotidianos, conversas jogadas fora, noites de música e bebedeira. Sofía (Demian Hernández), personagem central, vive com seu pai, mas tem saudades da mãe, artista e cantora famosa. Ela espera reencontrá-la antes das celebrações do Ano Novo.

O olhar de Sotomayor traz à tona o vigor de uma adolescência em pleno processo de descoberta da liberdade. O retorno da democracia se desdobra, indiretamente, numa busca constante por autoafirmação e conquista de espaço no mundo. Logo no começo do filme, Sofía, de 16 anos, argumenta com o pai que fuma porque gosta, quer e é viciada em cigarro – ele que viva com isso, portanto.

Boa parte do longa se dedica a narrar os flertes de Sofía com Ignacio (Matías Oviedo), um vizinho mais velho, e a paixão jamais correspondida de Lucas (Antar Machado), também de 16 anos, pela adolescente.

Tarde Para Morrer Jovem é bem filmado e reúne atuações convincentes, mas força a barra no ato final, na tentativa de dizer que há perigos naturais tão ameaçadores quanto os dos centros urbanos. A estratégia de remexer a tranquilidade bucólica num incêndio florestal se revela uma solução forçada para uma obra que se pretendia tão arejada.

Avaliação: Regular

*O repórter viajou a convite do Festival do Rio 2018