Crítica: “Colossal” usa monstro gigante para comentar crises pessoais

Dirigido pelo espanhol Nacho Vigalondo (“Crimes Temporais”), filme traz Anne Hathaway no papel de uma jornalista com problemas de alcoolismo

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Gloria (Anne Hathaway), a protagonista de “Colossal”, um belo dia percebe que o monstro gigante que tem aterrorizado Seul, na Coreia do Sul, repete um gesto familiar. Ele ergue o braço direito e coça o topo da cabeça. A jovem tem a mesma mania.

A personagem encarna um estereótipo já manjado do cinema indie americano: uma jornalista/escritora frustrada que deixa a agitação de Nova York e volta para a cidade natal, interiorana, e lá se debate entre a nostalgia confortante e crises existenciais.

Nacho Vigalondo (“Crimes Temporais”, “Perseguição Virtual”), diretor espanhol que trafega entre o terror e a ficção científica, encontra no avatar monstruoso (e distante geograficamente) uma maneira de traduzir as inquietações de Gloria.

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A jovem problemática e o monstro “de estimação”
Ela tem problemas com alcoolismo e, uma vez no lugar onde cresceu, reencontra Oscar (Jason Sudeikis), dono de um bar decadente. Desempregada, ela aceita trabalhar no estabelecimento, mesmo sabendo que trocará o dia pela noite em bebedeiras com outros adultos igualmente amargos.

Acontece que, lá pelas tantas, Oscar também tem o seu avatar – um robô gigante que se manifesta em Seul. Cada ação dos dois amigos, como uma simples caminhada em um parquinho infantil, afeta milhares de sul-coreanos.

Será que os dramas de Gloria são assim tão insolúveis? Quem sofre mais, uma jovem americana com problemas de bebida, mas que pode se refugiar na antiga casa dos pais, ou as centenas de pessoas pisoteadas diariamente por criaturas colossais?

Ideias curiosas, mas pouco apuro visual
“Colossal” desperta, no mínimo, curiosidade, mas a direção de Vigalondo, que também assina o roteiro, nem sempre é capaz de deslanchar visualmente.

O filme combina drama pessoal e kaiju (gênero japonês que designa filmes de monstros gigantes invadindo cidades), mas se distancia de um e de outro ao acirrar as rivalidades da dupla principal. Quase um filme de super-herói filtrado por uma afetação indie.

Se “Colossal” por um lado funciona como egotrip fantasiosa – ao salvar o mundo, Gloria também se salva –, o filme jamais atinge o potencial imaginativo de suas boas ideias.

Avaliação: Regular

Veja horários e salas de “Colossal”

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