Crítica: “A Garota no Trem” tem bom mistério, mas estilo precário
Thriller baseado em livro homônimo traz Emily Blunt no papel de uma alcóolatra que acredita ter testemunhado um crime
atualizado
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As ações publicitárias e o burburinho em torno de “A Garota no Trem” têm colocado o filme na mesma gaveta de “Garota Exemplar” (2014). A associação vem por conta de uma bem-vinda inversão de papéis na seara dos thrillers de mistério e desaparecimento: são as personagens mulheres que tomam as rédeas da narrativa e conduzem o olhar do espectador.
A começar por quem escreveu os livros que geraram os filmes: as autoras Gillian Flynn (“Garota Exemplar”) e Paula Hawkins (“A Garota no Trem”). Mas assim que a novidade começa, nota-se que a semelhança para no material de divulgação e nas impressões especulativas de quem não viu o filme.
Existe uma diferença de qualidade abismal entre o thriller de David Fincher, um mestre nesse tipo de suspense pulp, e o filme ingênuo e careta de Tate Taylor, diretor de “Histórias Cruzadas” (2011). Entre flashbacks mal ajambrados e reviravoltas convenientes, vemos Rachel (Emily Blunt) cruzando parte do subúrbio em direção a Nova York a bordo de um trem.
Quando a direção não dá conta da história
Todo o mistério se baseia no olhar pouco confiável de Rachel. Ela saiu de um divórcio tumultuado por problemas de alcoolismo e continua dependente da bebida. Diariamente, no vai e vem das viagens, a jovem passa pela rua e pela casa onde morava com o ex-marido Tom (Justin Theroux).
Na vizinhança, o casal Megan (Haley Bennett) e Luke (Luke Evans) parece representar a felicidade que Rachel teve o descuido de jogar fora. Certa feita, ela acredita ter visto Megan na companhia de outro homem (o terapeuta Kamal, feito por Edgar Ramírez).
Em outro momento, Rachel sai bêbada do trem e acorda horas depois com o rosto machucado. Relances mostram um túnel escuro e flashes de Megan e Anna (Rebecca Ferguson), atual esposa de Tom. No dia seguinte, Megan foi dada como desaparecida.
“A Garota no Trem” adota o ponto de vista de Rachel, Megan e Anna para mostrar as consequências de relacionamentos abusivos. No papel, soa interessante. Mas o que se vê na tela é um desperdício. A narrativa parece estranhamente sisuda para um material de claro apelo novelístico. Taylor tem um bom mistério em mãos, mas entrega um filme tão esquecível quanto o piloto de um seriado qualquer.
Avaliação: Ruim
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