Crítica: “A Era do Gelo – O Big Bang” tenta divertir sem carisma
Nova aventura de uma das franquias mais bem-sucedidas do gênero é enfadonha e chata, chegando aos cinemas apenas para cumprir tabela
atualizado
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Um dia alguém ainda vai perceber a grande embromação que são os filmes em 3D e então a vida irá fazer muito mais sentido. Mas enquanto isso não acontece, vamos ao que interessa. Essa quinta sequência da franquia da Fox que tem o brasileiro Carlos Saldanha como um dos criadores, é uma chatice maçante difícil de engolir. Nem mesmo a garotada, o público alvo do projeto, vem demostrando paciência para assistir a animação até o final.
Na trama mirabolante escrita por uma trupe de roteiristas para lá de doidões, o trio de amigos formados pelo mamute Manny, o tigre-dente-de-sabre Diego e a preguiça Sid, agora tem que lidar com o perigo iminente de destruição da Terra por um meteoro gigante. O que leva todos a fugir por uma jornada selva adentro guiados pela valente doninha Buck, que garante ter a solução desse “Big” problema.
Nesse meio tempo, um choque não meteórico, mas doméstico, parece perturbar a rotina do casal de mamutes, quando a filha Amora, de namoradinho a tiracolo, anuncia que vai casar, mas não pretende morar com os pais. Norteado por esses dois dramas de natureza diferentes, os personagens, literalmente, vão dando voltas na trama sem chegar a um objetivo concreto. Com direito a momentos surreais desnecessários. Qual o sentido, por exemplo, daquela comunidade hippie liderada por um Lhama que é a cara do Boy George?
Do espanto ao desencanto
Apático, arrastado e chato, “A Era do Gelo: O Big Bang” chega às telas de cinema somente como mais um projeto do gênero para cumprir com o calendário das férias anuais. É tão desanimador e enfadonho que nem o simpático esquilo Scrat e sua inseparável noz agradam. Embora tecnicamente a animação funcione – e esse talvez seja o único detalhe que desperte a atenção das crianças – é raso e confuso no conteúdo, sabotando o carisma dos personagens.
Do espanto formidável causado com o seu surgimento em 2002, ao desencanto dessa última história, a nova aventura de uma das franquias mais bem sucedidas do cinema de animação desnuda uma triste constatação. A de que algumas sequências caça-níqueis são meros desrespeitos aos fãs. Qual o sentido de esticar uma corda que não dá mais liga? “A Era do Gelo” já deu o que tinha que dá.
Avaliação: Regular
Veja horários e salas de “A Era do Gelo: O Big Bang”.
