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“A Chegada” representa o caso curioso de um diretor que saiu do circuitinho de arte para se tornar uma espécie de novo Christopher Nolan ou Alejandro González Iñárritu. Um autor de filmes supostamente inteligentes, humanistas e, acima de tudo, “importantes”. Este é Denis Villeneuve, que ano que vem lança a sequência “Blade Runner 2049”.

O canadense começou a cultivar popularidade a partir de “Suspeitos” (2013), sua primeira produção americana. “A Chegada” parece ser o passo que faltava para uma indicação nas categorias principais do Oscar. Não à toa, o longa já vem sendo tratado como um sério concorrente à estatueta.

Villeneuve carrega para a ficção científica seu apreço por atmosferas opressoras e personagens atormentados. A Amy Adams de “A Chegada” lembra muito a Emily Blunt de “Sicario” (leia crítica): uma mulher tirada de seu lugar por autoridades para colaborar em uma “causa maior”.

A doutora Louise Banks (Adams) trabalha como linguista e professora em uma universidade. Quando 12 naves alienígenas pousam na Terra, ela é chamada para se instalar no acampamento fixado nas proximidades do UFO que desceu em Montana, nos Estados Unidos.

Esoterismo conveniente e pouca imaginação
Os extraterrestres não chegam atirando lasers ou escravizando humanos. Eles mal parecem estar aqui, na verdade – as naves sequer tocam o solo ou emitem radiação. Cabe a Louise tentar se comunicar com os seres e, pressionada pelos militares, fazer-lhes a seguinte pergunta: “qual o seu propósito na Terra?”.

O que começa como uma ideia até bastante original – um filme pacifista sobre ETs! – logo descamba para o esoterismo de banca de revista. Desde a cena de abertura, Villeneuve envolve a personagem no que parecem ser memórias de um trauma passado. Aos poucos, as visões inspiram conexões cada vez mais absurdas com a presença dos aliens e a real intenção das criaturas no planeta.

Espere, portanto, um primeiro ato tenso e instigante e um segundo e terceiro atos altamente expositivos, com direito a viagens temporais e momentos canhestros de iluminação espiritual.

As comparações a “Interestelar” (2014) realmente vêm a calhar: são filmes que amarram tramas autoexplicativas, supostamente “profundas”, e não deixam quase nada para a imaginação do espectador. O “desconhecido” merece ser tratado com mais mistério do que plena convicção.

Avaliação: Regular

Veja horários e salas de “A Chegada”.

 

 

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