“Corrente do Mal” aposta em atmosfera alarmante

O vigoroso segundo longa de David Robert Mitchell tem motivos de sobra para ser um dos títulos de horror mais comentados dos últimos anos

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Divulgação
1 de 1 Divulgação - Foto: null

Dizer que um filme “redefine as regras do gênero” nem sempre é um elogio preciso. No caso de “Corrente do Mal”, ocorre justamente o inverso. É um poderoso terror que articula com fluidez e vigor as tradições do gênero sem parecer derivativo. Não à toa, trata-se de um dos títulos de horror mais comentados dos últimos anos.

Em seu segundo longa, David Robert Mitchell volta a inscrever seus personagens em Detroit, mesma ambientação de sua produção de estreia, “The Myth of the American Sleepover” (2010). Se um estridente equívoco de boa parte dos filmes de terror é o excesso de sustos gratuitos, “Corrente” aposta na construção de uma atmosfera pesada e alarmante.

Aos dezenove anos, o que Jay (Maika Monroe) mais quer é curtir o outono com seus amigos, apesar da época pouco convidativa. A real Detroit, decadente e sombria, colabora com suas ruas cobertas por folhas secas e entregues a residências feias e árvores desbotadas.

O sexo é a saída
Após transar com seu novo namorado, a jovem se vê num tormento inesperado: ela sente que algo ou alguém (o it do título original, “It Follows”) está à espreita, seguindo-a por toda parte. Eis a solução dita por seu ficante: faça sexo com outra pessoa e o perseguidor sobrenatural trocará de vítima.

O mais conhecido dos subtextos dos filmes de horror é tratar o sexo como algo maldito, demoníaco. Temas como menstruação, perda da virgindade, gravidez e prazer tornaram “Psicose (1960), “Halloween” (1978), “Bebê de Rosemary” (1968) e “Videodrome” (1983) clássicos absolutos. Aqui, pelo contrário: o sexo é a saída.

Temas musicais tocados em sintetizadores deixam o filme com ar oitentista. Mas nada na trama indica temporalidade: uma garota, por exemplo, usa um celular e e-reader irreal, no formato de uma concha. Certos objetos fora de tempo e lugar causam uma sensação de estranheza que só aumenta a cada nova ameaça.

Em “Corrente”, o pavor a doenças sexualmente transmissíveis surge no horizonte, mas soa reducionista. Porque o trunfo do filme é se encerrar em si mesmo. Esse mundo puramente ficcional e nada figurativo abriga pouquíssimos adultos em cena. É, de fato, uma paranoia habitada por jovens. Um terror que engole a seco os nervos confusos da contemporaneidade.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comEntretenimento

Você quer ficar por dentro das notícias de entretenimento mais importantes e receber notificações em tempo real?