Com Vingadores e Coringa, heróis dominaram os cinemas em 2019

Das dez maiores bilheterias do ano, quatro vêm de histórias baseadas em quadrinhos das editoras Marvel ou DC

A supremacia dos super-heróis no cinema de Hollywood é novidade para um total de zero pessoas. Mas, sobretudo em 2019, os números saltam aos olhos, com recordes colossais de bilheteria batidos por Vingadores: Ultimato e Coringa, as sensações do ano de Marvel e DC. Os dois filmes, pudera, foram os mais procurados pelas pessoas no Google ao longo dos últimos 12 meses.

A Disney, claro, segue incansavelmente soberana, domínio que deve se estender para a televisão por streaming com o lançamento do Disney+ (ou DisneyPlus). Ultimato passou Avatar (2009) como maior arrecadação da história (US$ 2,797 bilhões) e ajudou a impulsionar o massacre da marca na temporada.

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Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e Capitão América (Chris Evans) em Vingadores: Ultimato. Longa fechou ciclo bilionário do MCU, franquia mais lucrativa da história do cinema
Além de bilheteria bilionária, a primeira de um filme "para maiores" na história do cinema, Coringa venceu o Festival de Veneza e deve ir bem na temporada de premiações
Homem-Aranha: Longe de Casa encerrou a Fase Três do MCU
Warner Bros./Divulgação
Capitã Marvel representou o primeiro filme da editora a ter uma cineasta na direção: Anna Boden, que dividiu a função com Ryan Fleck. Os futuros Viúva Negra (Cate Shortland) e Os Eternos (Chloé Zhao) também terão assinatura de mulheres

Pela primeira vez, um estúdio ultrapassou a barreira de US$ 10 bilhões em bilheteria ao longo de um ano. Os produtos da casa do Mickey dominam o top 10 de 2019 com seis filmes. Star Wars: A Ascensão Skywalker, apesar da recepção morna da crítica, pode aumentar a conta em breve.

Dois são de super-heróis: além de Ultimato, Capitã Marvel (US$ 1,128 bilhão). Homem-Aranha: Longe de Casa (US$ 1,131 bilhão) é da Sony, mas faz parte do Universo Cinematográfico Marvel (MCU), da Disney.

Grana e prestígio

Na batalha das bilheterias de heróis, Coringa, do diretor Todd Phillips (trilogia Se Beber, Não Case!), fez US$ 1,061 bilhão nos cinemas. Mesmo lucrando menos que os concorrentes da Disney, o arriscado projeto “para maiores” (rated R em inglês, indicado para quem tem 16 anos ou mais) protagonizado por Joaquin Phoenix talvez represente a grande história do subgênero em 2019.

Planejado como história de origem descolada do DCEU, o Universo Estendido DC, o longa solo do arqui-inimigo de Batman tentou se afastar o quanto pôde do formato de “mais um capítulo da franquia”. O verniz de filme “sério” – drama oitentista sobre comediante com doença mental abandonado pelo estado falido (Gotham) – funcionou à beça.

Com inspirações sobretudo em clássicos de Martin Scorsese, como O Rei da Comédia (1982) e Taxi Driver (1976), Coringa conseguiu “transcender” o nicho de encapuzados e mascarados, vencer o Leão de Ouro no Festival de Veneza e se credenciar a glórias na temporada de premiações: quatro indicações ao Globo de Ouro e boas chances de Oscar em algumas categorias, como melhor ator (Phoenix).

A Marvel só conseguiu prestígio parecido com Pantera Negra (2018), indicado a sete prêmios (incluindo melhor filme) e vencedor de três estatuetas.

O sucesso de Coringa acaba respingando positivamente no DCEU, em recuperação por meio das cifras de Aquaman (2018), maior bilheteria da editora (US$ 1,148 bilhão), e da simpatia de Shazam! (2019).

Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa, também “para maiores”, estreia em 6 de fevereiro de 2020. Mulher-Maravilha 1984, com Gal Gadot de volta ao papel-título, chega em 4 de junho. Ambos os filmes podem acirrar a disputa com a Marvel em uma temporada de produções “emergentes” do selo rival: Viúva Negra (30 de abril) e Os Eternos (5 de novembro).