Cannes: “Too Old to Die Young”, de Nicolas Winding Refn

Dois episódios de uma série não dizem muito... Exceto o apreço que este Festival tem por alguns diretores.

atualizado 28/02/2020 16:37

Festival de Cannes/Divulgação

De vez em quando, o Festival de Cannes é um pouco moderno demais. De uns anos pra cá, resolveu celebrar séries televisivas de diretores consagrados, fora da competição principal. Em 2017 passou “Top of the Lake – China Girl”, da diretora Jane Campion, inteira (6 horas de programação). Também estreou, em grande estilo, 2 episódios da série “Twin Peaks”, de David Lynch. De certa forma, a inclusão deste tipo de projeto num festival como Cannes serve apenas como um favor prestado a alguns membros privilegiados da elite cannesiana. Se estas sessões servissem para passar uma narrativa inteira (como foi o caso com Campion), seria até defensível, um novo modo de se apresentar narrativas em tempos de streaming, etc, etc.

A exibição apenas do começo das séries, como foi o caso de Lynch, é mera publicidade. O que dizer então da sessão dos episódios 4 e 5 da nova série de Nicolas Winding Refn? A trama completa não fica aparente, por si, e julgamos a série inteira pelo que conseguimos discernir de pouca coisa. Miles Teller interpreta Martin Jones, um policial de Los Angeles que busca lutar contra o crime de uma maneira radical, razão pela qual ele aceita uma atividade extra-curricular de assassino de aluguel, desde que o alvo seja um criminoso.

Ao seu redor está o apocalipse. Viggo (John Hawkes), uma espécie de mentor, profetiza que o mundo está acabando, e que grandes cidades, como Los Angeles, a sua volta, acabarão em fogo. Diana (Jena Malone), é uma guia espiritual com uma lista de pessoas a serem assassinadas. Gangsters como Damian (Babs Olusanmokun) querem acertos de contas todos os dias e a delegacia de polícia de Martin brada gritos de Fascismo. Sua namorada adolescente, Janey (Nell Tiger Free), é um ponto de pureza, à parte de tudo isso, mas o pai da moça é um produtor de Hollywood (William Baldwin) sem escrúpulos. Em volta disso tudo estão produtores de filmes pornográficos e um cartel mexicano.

O mistério da série é a falta de energia que ela ostenta. Cada cena dura três vezes mais do que deveria, cada diálogo tem mais silêncio do que palavras e cada plano de filmagem se estende além do tolerável. É como se Refn quisesse separar cada momento de sua trama em um quadro pintado, um still de artes plásticas.

Refn é um diretor sempre inspirado. Só que a minutagem de seus melhores filmes, que não passam dos 90 minutos, requeriam que ele economizasse na soberba e mostrasse apenas as sequencias inspiradas de suas histórias e de sua imaginação visual. “Too Old to Die Young”, onde ele pode tomar o tempo que quiser para alongar uma conversa, ou um plano paisagístico, parece mais um experimento que deu errado, uma ode ao tédio narrativa que vencerá o espectador pelo cansaço.

Avaliação: Regular (2 estrelas)

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