“A Grande Aposta” lembra a crise econômica de 2008 com humor ácido e excêntrico

Comédia de Adam McKay (“O Âncora”) reúne Steve Carell, Ryan Gosling, Christian Bale e Brad Pitt para narrar histórias de investidores que conseguiram prever o colapso e lucrar com a bolha imobiliária

Ao lado dos irmãos Bob e Peter Farrelly (“Débi e Lóide”), Adam McKay é um dos melhores diretores de comédia da atualidade em Hollywood. Autor de longas hilários, como “Quase Irmãos” (2008) e “O Âncora” (2004), ele carrega seus personagens bizarros e o timing de boas piadas para um filme sobre a crise econômica de 2008.

O resultado é algo entre “O Lobo de Wall Street” (2013), a amalucada interpretação de Wall Street por Scorsese, e “Margin Call – O Dia Antes do Fim” (2011), um drama pesado sobre os primeiros efeitos do crash. Para refrescar a memória: um dos cernes da crise foi a especulação produzida durante anos em torno dos títulos de hipotecas. Em resumo: o número de ações superava a própria quantidade de propriedades financiadas. Dívidas e mais dívidas entulhadas de empréstimos e créditos impagáveis.

Economiquês e esculacho 
O reconhecível escracho de McKay pode ser reconhecido especialmente na primeira hora de “A Grande Aposta”. Sem a preocupação de cruzar as trajetórias de três diferentes grupos de investidores, o diretor narra previsões certeiras desenhadas bem antes do colapso, em 2005.

Aqui e ali, o diretor conduz a câmera de maneira semi-documental – à la “The Office” – e insere memes, vídeos toscos do YouTube e até celebridades (como Margot Robbie tomando champagne numa banheira) a explicar o “economiquês” que domina os diálogos. Fã de rock pesado e dono de tiques estranhos, Michael Burry (Christian Bale) analisou sutis dados sobre a inadimplência de hipotecas nos Estados Unidos. Decidiu, então, apostar contra o mercado, utilizando os generosos fundos dos bancos como lastro.

Jared Vennett (Ryan Gosling) enxergou a mesma oportunidade. Mesmo trabalhando para um banco, conseguiu estimular a firma de Mark Baum (Steve Carell) a também entrar no jogo. Ansiosos para fazer parte de Wall Street, os jovens Charlie Geller (John Magaro) e Jamie Shipley (Finn Wittrock) se arriscam com apoio de Ben Rickert (Brad Pitt), um investidor que largou o frenesi dos negócios pela tranquilidade da vida como plantador de sementes orgânicas.

Apesar de ser praticamente falado em língua alienígena, “A Grande Aposta” usa o elenco de maneira esperta. Ditos em ritmo de metralhadora pelos atores, os diálogos desnudam o absurdismo de um sistema que se esconde atrás de termos difíceis para especular com o dinheiro de milhões de pessoas. Aqui, ao menos é possível rir disso por um par de horas.

Avaliação: Bom

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