Administração de Brazlândia remove obra do artista Francisco Galeno

Feito com pedras portuguesas há quase 30 anos, o calçadão assinado pelo artista ficava na orla do Lago Veredinha

atualizado 12/07/2021 20:40

Instagram/Reprodução

Por quase 30 anos, os moradores de Brazlândia (DF) conviveram com uma das principais criações do artista plástico Francisco Galeno: o calçadão de pedras portuguesas da orla do Lago Veredinha. Na manhã desta segunda-feira (12/7), parte dessa memória cultural foi arrancada pela administração da cidade, sem aviso, conforme denuncia o filho do piauiense em vídeo divulgado nas redes sociais.

Na imagem, João Galeno mostra um trator arrancando a estrutura, durante serviço de recuperação do local, usado pela população para a prática de exercícios e esportes. “Deveria ser um patrimônio”, salienta o filho do artista, que também criou os painéis da Igreja Nossa Senhora de Fátima, a Igrejinha da 307/308 da Asa Sul.

Veja o vídeo

“Quando vi o vídeo, fiquei muito triste. foi como se tivessem arrancado um pedaço de mim. É como um filho que você fez, que viu nascer, que viu crescer, e de repente, começam a maltratar e arrancam de você”, lamenta Francisco Galeno.

Em entrevista, o artista disse não ter recebido nenhuma notificação e que foi pego de surpresa com a destruição da obra. “Imagina eu vendo o meu trabalho sendo arrancado sem ter uma razão plausível?”, questiona Galeno.

O artista conta que a obra do calçadão foi uma das maiores da sua carreira, e também de maior valor afetivo, por ter sido realizada na cidade onde foi criado e descobriu o talento para as artes. “Foi um trabalho minucioso, de meses. Quando ficou pronto, o resultado me deixou muito feliz. Principalmente por ser um trabalho público, em benefício da cidade e dos moradores de Brazlândia”, ressalta. “Se de fato tirarem o calçadão, vai ser uma perda terrível. Já somos tão carentes de arte”, conclui.

Outro lado

Em nota enviada ao Metrópoles, a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec) informou que o secretário Bartolomeu Rodrigues foi pego de surpresa com os vídeos da remoção da obra. A pasta explicou que a área não é tombada, mas que Rodrigues pediu a suspensão imediata do serviço ao administrador, Jesiel Costa Rosa, que acatou a decisão. “Será designada uma equipe da Subsecretaria de Patrimônio (Supac) para ir ao local fazer uma avaliação”, completa a nota.

O governador em exercício do DF, Paco Britto, informou que entrou em contato com Ibaneis Rocha (MDB) assim que soube do caso. “Conversei com o governador Ibaneis e mandei suspender porque ali não é problema de calçada, é cultural. Mandei fazer uma reunião com o secretário da Cultura, a Novacap e a Administração de Brazlândia. A solução ali é outra, não é de demolir obras de arte histórica de nossa cidade”, destacou.

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