Vizinhos estão revoltados com agressão a menino em condomínio do DF

Pais são acusados de segurar vítima para o filho bater em condomínio na Octogonal. “Está todo mundo horrorizado”, diz moradora

A agressão contra um menino de 6 anos revoltou os moradores da Quadra 4 da Octogonal, onde ocorreu o episódio. A criança foi atacada pelos pais de um coleguinha durante uma partida de futebol. Primeiro, o homem segurou o garoto para que o filho batesse nele. Depois, a mulher, não satisfeita, o empurrou.

“Está todo mundo horrorizado. Porque aqui um cuida do filho do outro”, diz a administradora Aline Volpini, 36, que mora na quadra. Segundo ela, os meninos e as meninas que residem ou visitam o residencial ficam em segurança, por se tratar de um condomínio fechado.

“Nunca aconteceu esse tipo de problema antes. Não foi culpa de nenhuma das crianças. Mesmo se tivesse sido, nada justifica. Elas são crianças. Poderia ter sido com qualquer um”, destaca Aline Volpini.

A aposentada Liana Costa, 64, classificou como “absurdo” o caso. “Não tiro mais os olhos da minha neta aqui. Não podemos deixar as crianças sozinhas”, afirma a mulher, que mora há 29 anos no mesmo local. “As pessoas têm que se manifestar para que algo assim não aconteça outra vez”, acrescenta.

Comovido, um grupo de mães marcou uma manifestação para o próximo domingo (16/12), a partir das 17h. “Se puderem, usem camiseta branca e levem um cartaz com palavras de gentileza. A intenção é mostrarmos que, na nossa quadra, o que predomina é o respeito, a paz e a tolerância”, diz texto que circula em grupos de redes sociais de moradores da Octogonal.

Como foi a agressão
O garoto foi alvo de agressões em uma quadra de esportes do condomínio no domingo (9). Ele veio da Bahia passar uma semana de férias na casa da tia, a servidora pública Jucinea Nascimento, 43. Na capital do país, durante jogo de futebol na quadra do residencial com os amiguinhos, tornou-se vítima de agressão.

Os pais do coleguinha – identificados como Alexandre Campos de Jesus e Danielle Cavalcanti dos Santos – seguraram o menino para que ele fosse agredido pelo filho. Não satisfeita, segundo as imagens do circuito de segurança interno do condomínio, a mãe empurra a vítima, que bate a cabeça no chão. “Na hora, só queria ir embora”, disse o pequeno, de apenas 6 anos, ao Metrópoles, nesta quinta-feira (13).

A equipe de reportagem foi à casa de Jucinea Nascimento, onde o menino está hospedado, nesta manhã. Chegou ao local por volta das 10h. Sentado à mesa, ao lado dela, o garoto tímido confirmou que a mãe do outro coleguinha o empurrou. Tanto ela como Alexandre acharam que a vítima havia batido no filho. O que ocorreu, porém, segundo as próprias imagens, é que menino tropeçou na bola, caiu e bateu a boca no chão.

 

Jucinea contou, nesta quinta (13), que não chegou a ver o momento em que o sobrinho foi agredido. Quando chegou à quadra, presenciou as crianças assustadas, chorando, sem saber o que havia ocorrido.

Ao descobrir que seu sobrinho havia apanhado, imediatamente procurou os agressores, que estavam em visita à Quadra 4, hospedados na casa dos pais. No entanto, foi recebida com hostilidade, segundo relatou. “Da janela, começaram a gritar que eu não tinha dado educação para meu sobrinho”, recorda-se.

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Menino cai durante o jogo de futebol na quadra de esportes de um residencial da Octogonal 4
Imediatamente, adultos e crianças se aglomeram em volta do garoto
O pai da criança segura o outro menino para que o filho o agrida
A mãe chega e empurra o menino de 6 anos, então de férias na casa da tia
A mãe chega e empurra o menino de 6 anos, então de férias na casa da tia
Jucinea diz que foi hostilizada pelos pais agressores
Menino de 6 anos: “Só queria ir embora”
Jucimara, mãe do menino agredido: “Inadmissível”

A mãe da criança agredida, Jucimara Nascimento, 38, também servidora pública, trata o caso como “inadmissível“. “O seguraram com as mãos para trás. Meu filho não teve nem o direito de se defender do murro que levou [da outra criança]. No que depender de mim, isso vai para frente na Justiça dos homens. Na de Deus, eu já botei nas mãos Dele”, afirmou, por telefone, ao Metrópoles.

Jucimara mora em Feira de Santana, na Bahia. Ela conta que está muito abalada com o episódio e chorou a noite toda, na terça (11), quando soube pela irmã que seu filho havia sido agredido. “O que eu estou passando não queria que mãe nenhuma passasse. Ver seu filho ser agredido sem direito de defesa. Gostaria de estar no lugar dele naquela hora”, afirmou ela. Jucimara também ressaltou que está recebendo a solidariedade de muitas pessoas. “Até de quem não conheço”, afirmou.

Lesão corporal
O caso é investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Segundo a unidade especializada da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), os pais acusados da agressão vão responder, inicialmente, por lesão corporal, cuja pena inicial prevista é de três meses a um ano, podendo ser aumentada em razão da idade da vítima.

Há ainda a possibilidade de serem indiciados por ameaça e por terem submetido o próprio filho a constrangimento, crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Eles serão intimados a depor nas próximas semanas.

“As imagens são inquestionáveis e inequívocas quanto à ação do pai e da mãe da outra criança durante as agressões à vítima. O vídeo é bem claro e mostra toda a agressão. Vamos ouvir todos os envolvidos e depois decidir pelo indiciamento”, disse a delegada adjunta da DPCA, Patrícia Bozolan.

No inquérito em curso, a PCDF vai investigar, também, denúncias de moradores do condomínio de que os pais agressores teriam ameaçado a vítima, de 6 anos, anteriormente. Procurados por telefone e na casa onde estavam hospedados, os suspeitos não foram localizados nesta quinta. Alexandre não atendeu às ligações e Danielle desligou assim que a reportagem se identificou.

O menino que foi agredido passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). Uma conselheira tutelar do Sudoeste esteve na manhã desta quinta (13) na casa da tia do garoto e disse que as duas crianças são vítimas. O caso será encaminhado ao Ministério Público.

O MP informou que, assim que o episódio for remetido ao órgão, será investigado após a conclusão do inquérito.