Vídeo: poeira e barulho de obra atrapalham aulas de escola pública

Turmas foram transferidas para espaços improvisados no refeitório, quadra de esportes, biblioteca e laboratórios do colégio

atualizado 25/11/2021 13:33

Material cedido ao Metrópoles

Mesmo com aulas totalmente presenciais, o Centro Educacional (CED) 14 de Ceilândia passa por obras. Poeira e barulho atrapalham as aulas e colocam em risco a saúde de estudantes e professores na escola pública.

Confira as salas de aula improvisadas: 

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Segundo educadores, a obra levou ao fechamento de salas de aula, e as turmas foram acomodadas de maneira precária na quadra de esportes, no refeitório, na biblioteca e nos laboratórios. Os espaços são divididos por tapumes.

Veja a poeira e ouça o barulho:

A escola tem mais de mil alunos. A obra não compromete somente as aulas. O barulho e a poeira também atrapalham professores e servidores durante o período reservado para as atividades de coordenação.

Educadores solicitaram uma solução para a situação e o cronograma da obra. Em resumo, defendem a implementação de um calendário no qual não ocorra mais conflito entre obra, aulas e atividades de coordenação.

Se não houver tempo disponível, os professores sugerem a retomada das aulas híbridas ou do trabalho remoto para as atividades de coordenação. Com turmas reduzidas, a escola conseguiria acomodar os alunos, mesmo com a obra.

O pedido foi registrado no Sistema Eletrônico de Informação (SEI) da Secretaria de Educação. Mas não houve resposta efetiva da pasta nesta quinta-feira (25/11) aos educadores. A obra consiste principalmente na troca do piso da escola.

Betoneiras

O Metrópoles conversou com um educador da escola. Com medo de perseguição ou represálias, ele pediu para ter o nome preservado. “É uma situação muito insalubre”, afirmou. “O aluno é o grande prejudicado. O aprendizado, na verdade, está sendo ruim”, resumiu.

Em diversas ocasiões, durante as aulas, o educador precisou superar o barulho de betoneiras para apresentar o conteúdo para os alunos.

“A gente não conseguiu realizar as propostas diárias, porque a gente enfrentava realmente decibéis muito altos. E a quantidade de poeira era muito grande”, relatou.

Jornada tripla

Houve uma mudança nos horários das obras. Atualmente, os operários estão concentrados no período das ações da coordenação. Sem chance de concentração, educadores levam trabalho para a casa, fins de semana e feriados.

“Não existe produtividade. A gente não consegue produzir aulas. Só que os operários continuam trabalhando também com os alunos em sala. Só que com um ritmo menor”, explicou o educador.

Segundo o professor, a escola também tem alunos com comorbidades e seguem com ensino 100% remoto. “Então, o que está acontecendo: nós estamos com uma jornada tripla de trabalho”, desabafou.

“A poeira da obra é presente mesmo. Tem casos de professores que saíram de sala, porque a poeira invadiu tudo. É uma situação muito difícil. As pessoas estão adoecendo”, destacou.

Segundo o professor, a obra deveria não deveria ter sido feita com atividades presenciais na escola. Os espaços improvisados não são adequados para o ensino. A acústica é péssima. Tapumes voam com o vento. E em dias de chuva, alunos ficaram molhados.

O Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) considera a situação absurda. “Mostra a falta de planejamento. O governo deveria ter feito essa reforma no período de aulas remotas. É um barulho ensurdecedor, com muito pó, que transforma o ambiente escolar em um lugar insalubre. Nessas condições o pedagógico e a saúde de todos ficam prejudicados”, pontuou o diretor Samuel Fernandes.

Outro lado

O Metrópoles entrou em contato a Secretaria de Educação sobre a questão. Em nota, a pasta informou que a obra está orçada em R$ 106 mil. A previsão de conclusão é dezembro deste ano. “Se há interferência no processo de aprendizagem, a Secretaria de Educação tomará as providências para mitigar o problema”, destacou o documento.

Leia a nota completa:

A Secretaria de Educação está substituindo o piso de todo o CED 14 de Ceilândia — obra orçada em R$ 106 mil, com conclusão prevista para dezembro. Os trabalhos foram programados para acontecerem no intervalo entre os turnos e aos fins de semana e feriados, de forma a não atrapalhar as aulas. Se há interferência no processo de aprendizagem, a Secretaria de Educação tomará as providências para mitigar o problema. Atualmente, a escola possui mais de mil alunos cursando entre ensino médio, ensino fundamental e EJA.
A reportagem tentou contato direto com a direção da escola, mas as ligações não foram atendidas. O espaço está aberto para eventuais manifestações.

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