Sócio de restaurante sobre entregador: “Pago R$ 140 mil de aluguel pra motoboy sentar aqui?”

Vídeo mostra sócio do restaurante Abbraccio, do ParkShopping, criticando motoboy: "Na minha loja, você não pisa mais"

atualizado 19/07/2021 13:07

Sócio de restaurante briga com motoboy no DFMaterial cedido ao Metrópoles

Um sócio do restaurante Abbraccio foi gravado discutindo com um motoboy que estava sentado na entrada do ParkShopping, carregando o celular.

Em vídeo, que foi obtido pelo Metrópoles e teria sido gravado no sábado (17/7), o empresário aparece no telefone e, quando desliga, diz ao entregador: “Na minha loja, você não pisa mais. Se eu pedir para alguém te ver aqui… Já vou te excluir do Ifood, beleza? Só isso que eu tenho para te falar”.

O sócio do restaurante italiano prossegue: “E tu não folga, não. Você não está na sua casa. Eu estou neste shopping tem 15 anos, não vai chegar um motoboy aqui e achar que manda, não, beleza?”

O homem, então, vira-se para um funcionário do shopping e reclama: “Vocês não deviam deixar o cara com isso aqui para carregar. Isso aqui é do shopping. Vou ligar para o Carlos Alberto, porque isso aqui não pode acontecer. Não tem condições. Pago R$ 140 mil de aluguel para o motoboy sentar aqui e colocar o celular dele para carregar? Não vou nem a pau”.

Veja o vídeo:

 

O vídeo não mostra o que ocorreu antes da fala do empresário. Um entregador disse ao Metrópoles que estava no local e presenciou a cena, que chamou de “humilhação”. Ele contou que houve uma confusão por conta da demora no restaurante para preparar um pedido, e o motoboy, após esperar por mais de uma hora, recusou-se a fazer a entrega. “O dono do estabelecimento o humilhou na frente de todos”, relatou.

O motoboy ouvido pela reportagem informou que o local onde os entregadores estavam é um ponto de apoio instalado justamente para que os profissionais possam carregar os celulares.

Após as imagens circularem entre a categoria de entregadores, as redes sociais do Abbraccio receberam comentários pedindo respeito aos motoboys.

O outro lado

Em nota enviada à reportagem, o Bloomin’ Brands, grupo detentor da marca Abbraccio, disse que “o que é retratado no vídeo não condiz com a nossa relação com os profissionais de entrega”. “Lamentamos o ocorrido”, afirmou.

“Estamos no Brasil há 23 anos e temos um relacionamento genuíno com as nossas pessoas e os fornecedores que trabalham conosco. Informamos também que já conversamos com o sócio do restaurante em relação à condução do trabalho com os entregadores locais e já estamos apurando toda a situação e tomando as providências necessárias”, disse a empresa.

Confira a nota na íntegra:

“Agradecemos a oportunidade de esclarecer o ocorrido. Nós, da Bloomin’ Brands, grupo detentor da marca Abbraccio, informamos que o que é retratado no vídeo não condiz com a nossa relação com os profissionais de entrega. Lamentamos o ocorrido.

Estamos no Brasil há 23 anos e temos um relacionamento genuíno com as nossas pessoas e os fornecedores que trabalham conosco.

Informamos também que já conversamos com o sócio do restaurante em relação à condução do trabalho com os entregadores locais e já estamos apurando toda a situação e tomando as providências necessárias.

Nada justifica o desalinhamento com nossos procedimentos e, como mencionado, faremos a apuração do caso e já iniciamos a reorientação de todo o time do restaurante em relação à nossa filosofia para que situações como esta não voltem a acontecer.

Para nós, é muito importante reforçar que temos uma relação de respeito e profissionalismo com todos os motoboys responsáveis pela logística do nosso delivery e isso se reflete no dia a dia com o atendimento de milhares de pedidos, todos os meses, em todas as cidades onde estamos presentes.”

Para o Metrópoles, o ParkShopping Multiplan lamentou profundamente o ocorrido e esclareceu que o vídeo foi gravado em local de suporte para trabalhadores das operações de entrega.

“Respeitamos todos os públicos que frequentam o ParkShopping e prezamos pela boa convivência e relacionamento cordial entre lojistas, colaboradores, prestadores de serviço, clientes e todos que circulam e trabalham no shopping”, informou o texto.

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