Sindepo-DF reage após defesa de Luiz Estevão dizer que processará delegados

Sindicato repudia "qualquer ato que venha gerar constrangimento de delegados de polícia no curso da investigação ou do processo"

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 05/07/2018 12:12

O Sindicato dos Delegados de Polícia do DF (Sindepo) reagiu ao anúncio feito pela defesa do ex-senador Luiz Estevão, de que vai entrar com medidas judiciais, administrativas e correcionais contra os delegados que conduziram a Operação Bastilha. Também será pedida indenização por danos morais.

De acordo com o advogado Marcelo Bessa, durante os procedimentos houve violação ao direito de intimidade do ex-senador e quebra do sigilo do processo, que corre em segredo de Justiça. “Em entrevista coletiva espalhafatosa, os delegados atribuíram a Luiz Estevão o apelido de ‘Dono do Presídio’, colocando em risco a integridade física dele e atingindo a sua honra sem qualquer direito de defesa”.

Em nota divulgada nessa quarta-feira (4/7), o Sindepo repudiou “veementemente qualquer ato que venha gerar constrangimento de delegados de polícia no curso da investigação ou do processo”. De acordo com o texto, “caberá à defesa de Luiz Estevão provar que os objetos encontrados não são dele”.

Para a defesa de Luiz Estevão, a polícia foi “irresponsável” ao atribuir os objetos encontrados ao ex-senador. Segundo Marcelo Bessa, seu cliente passava boa parte do tempo fora da cela, durante despachos autorizados com advogados e, no período de trabalho, na biblioteca, momentos em que o lugar ficava aberto.

Operação
A operação, deflagrada no dia 17 de junho, foi conduzida pelos delegados Fernando César Costa, da Coordenação de Combate ao Crime Organizado, aos Crimes contra a Administração Pública e à Ordem Tributária (Cecor), e Thiago Boeing, da Divisão de Facções Criminosas (Difac), ambas da Polícia Civil do DF.

Com base no depoimento de uma “testemunha sigilosa”, os delegados obtiveram autorização da Vara Criminal e Tribunal do Júri de São Sebastião para busca e apreensão nas celas de Luiz Estevão e do ex-ministro Geddel Vieira Lima. Conforme o suposto informante disse, “comentava-se que o ex-senador possuía diversas regalias na cadeia, como telefone, geladeira, fogão e enorme quantidade de dinheiro”.

No dia de estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2018, durante a batida no Complexo Penitenciário da Papuda, efetivo de 35 policiais civis, agentes e delegados recolheu cinco pendrives, documentos, uma tesoura, uma barra de chocolate e cereais.

Embora o processo tenha corrido em segredo de Justiça, a Operação Bastilha ganhou repercussão nacional. Detalhes da ação foram revelados durante entrevista coletiva convocada pela Polícia Civil um dia após o cumprimento dos mandados, com enfoque para a apreensão dos documentos e dos pendrives.

O empresário Luiz Estevão cumpre pena há dois anos e dois meses, condenado pelos crimes de peculato, estelionato e corrupção ativa em razão da construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP).

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