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Policiais civis da 5ª Delegacia de Polícia (área central) prenderam, na tarde desta quarta-feira (7/2), o suspeito de ter assassinado o doutorando da Universidade de Brasília (UnB) Arlon Fernando da Silva, 29 anos.

O estudante foi morto na noite de 7 de dezembro do ano passado, quando passava na ciclovia do Eixo Monumental, em frente à Câmara Legislativa. Na ocasião, o acusado supostamente roubou a bicicleta de Arlon Fernando e fugiu em direção ao Paranoá.

De acordo com o delegado-chefe da 5ª DP, Rogério Henrique Oliveira, Daniel Sousa de Andrade foi encontrado dentro da geladeira, na casa do pai, no Itapoã. Aos agentes, o suspeito, conhecido como Scooby, negou a autoria do crime. “Ele é uma pessoa fria, que demonstra cinismo”, afirmou o chefe da unidade de polícia. Após ser interrogado, ele acabou confessando a autoria do crime.

“Ele disse que deu as facadas sem querer e que só mostrou a arma porque o Arlon teria dito ser policial e ido na direção dele”, contou Rogério Henrique. A polícia, entretanto, não acredita na versão. Para os investigadores, Scooby foi covarde e atacou o ciclista de surpresa.

Facebook/Reprodução

Daniel Andrade foi preso dois meses após o assassinato que comoveu o DF

 

Ficha corrida extensa
Scooby já era conhecido pela polícia. Há pelo menos três anos, ele roubava bicicletas no DF. O criminoso gostava de se gabar com amigos. “Ele dizia ter sangue no olho e que resolvia tudo na ‘mão grande’”, contou Oliveira.

A ficha corrida dele é extensa. De acordo com a corporação, em 2016, Daniel Andrade atacou um soldado do Exército que andava de bicicleta próximo ao Museu do Índio. No incidente, o ladrão usou um pedaço de madeira para agredir o militar. A vítima caiu no chão, mas conseguiu atirar no pé criminoso. Scooby acabou preso.

Condenado a 2 anos e 9 meses de prisão no semiaberto, ficou detido por dois meses, até ser beneficiado pela progressão para o regime aberto.

As outras vítimas são dois servidores do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), segundo a polícia. A última ocorrência registrada antes da morte de Arlon foi em setembro de 2017: com uma faca, Daniel acertou o pulmão de um fisioterapeuta do órgão, levando-o a ficar internado por três dias na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Santa Luzia. O objetivo também era levar uma bicicleta.

O latrocínio é o quarto crime em que Daniel é apontado como autor. “O modus operandi é o mesmo: chega com a faca e aborda sem anunciar o assalto”, relatou o delegado-chefe da 5ª DP. Ainda de acordo com ele, há indícios de que Scooby se prostituía na Rodoviária do Plano Piloto.

Em ação conjunta, as polícias Civil e Militar chegaram a Scooby depois de localizar o receptador das peças da bicicleta de Arlon: Luiz Carlos dos Santos Ramos, 22 anos. Ele contou que, tão logo soube do crime, tentou devolver os componentes – rodas, sistemas de freios e manetes –, mas não conseguiu efetuar a troca (veja vídeo abaixo). Segundo os investigadores acreditam, o quadro pode ter sido derretido ou descartado em local ainda desconhecido.

 

“Ele falou que Daniel [Scooby] chegou a confessar o crime e disse que não daria os R$ 500 de volta”, explicou o porta-voz da PM, major Michello Bueno. Luiz Carlos foi abordado pela Polícia Militar em 15 de janeiro. “As peças foram encontradas na casa do receptador, no Itapoã, em cima de um armário”, completou o militar. A bicicleta, modelo mountain bike GT Avalanche Elite, pode custar até R$ 4 mil.

O crime
Arlon Fernando, que fazia doutorado em física, foi esfaqueado em pleno Eixo Monumental, entre as vias S1 e N1, na altura da Câmara Legislativa, quando voltava da universidade para casa, no Sudoeste, pela ciclovia.

Scooby é justamente o homem de quem os investigadores desconfiavam. Morador do condomínio Del Lago, no Paranoá, ele já havia sido levado à delegacia para prestar esclarecimentos pelo menos duas vezes. Em todas as oportunidades, o rapaz negou participação no crime.