Salão de beleza de Águas Claras é investigado por lavar dinheiro de roubo

O estabelecimento pertence à mulher do empresário José Carlos Lacerda Estevam Leite, proprietário do maior lava a jato de Águas Claras

policiais civisHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 25/05/2020 15:21

Um salão de beleza localizado em Águas Claras pode ter sido usado para lavar dinheiro de uma série de roubos a bancos realizados em diversas regiões do país. O estabelecimento pertence à mulher do empresário José Carlos Lacerda Estevam Leite, 40 anos, proprietário do maior lava a jato de Águas Claras.

Ele é apontado pela Polícia Civil (PCDF) como o líder de uma quadrilha especializada em ataques a agências bancárias. O homem está foragido.

Os dois estabelecimentos possuem o mesmo nome, Quality, e foram alvos de busca e apreensão na manhã desta segunda-feira (25/05), no âmbito da segunda fase da Operação Sentinela. A ação é coordenada pela Divisão de Repressão a Roubos e Furtos (DRF), unidade que pertence à Coordenação de Repressão a Crimes Patrimoniais (Corpatri).

José Leite é considerado mentor de uma série de roubos milionários contra agências bancárias nos últimos dois anos, em vários estados do país. Os criminosos faturaram R$ 3 milhões com os assaltos. O empresário é conhecido no Distrito Federal.

Segundo as investigações, os estabelecimentos eram usados para lavar o dinheiro faturado com os ataques. A segunda fase da Operação Sentinela cumpre sete mandados de prisão e dez de busca e apreensão, em Águas Claras, Ceilândia, Taguatinga e na cidade de Joinville, em Santa Catarina.

De acordo com a Divisão de Repressão a Roubos e Furtos (DRF), José Carlos procurava levar uma vida acima de qualquer suspeita e dividia o tempo entre tocar os negócios – sempre ligados ao setor automotivo – e planejar assaltos cinematográficos contra instituições bancárias.

O criminoso, segundo as apurações da Coordenação de Repressão a Crimes Patrimoniais (Corpatri), recrutava assaltantes de vários estados, definia a função de cada um e organizava o setor operacional e de logística de cada ataque.

O empresário, de acordo com a PCDF, é o líder da organização criminosa especializada em roubos a bancos desarticulada  na primeira fase da Operação Sentinela, em 4 de maio.

Aquela ação desmantelou um grupo que agia entranhado na sede do Banco do Brasil, uma das maiores instituições financeiras do país. Na operação, cinco funcionários terceirizados do banco foram presos. Todos desabilitavam sistemas de alarme e facilitavam ataques a cofres do banco em todo o país.

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Laranjas

Os policiais cumprem mandados de prisão contra o empresário, o filho dele e cinco funcionários das empresas de José Carlos. Todos os presos cediam os nomes para o registro de empresas e veículos usados na lavagem do dinheiro.

O lava a jato, famoso por tratar da estética de Ferraris, Porsches e outros veículos de  luxo, também é registrado no nome de um funcionário e não do empresário especializado em planejar roubos a bancos.

Os investigadores da DRF identificaram que José Carlos recrutou um grupo de arrombadores de cofres em Joinville (SC), responsável pela abertura dos cofres. Os policiais cumpriram a prisão de um deles na cidade catarinense.

O suspeito foi trazido para o DF em um avião da corporação pelos investigadores da DRF. Com o suspeito foi apreendida uma pistola austríaca da marca Glock.

As apurações vincularam José Carlos e os comparsas a pelo menos quatro assaltos cometidos contra agência bancárias. A primeira delas ocorreu na cidade baiana de Teixeira de Freitas, em 29 de novembro do ano passado.

Durante o furto, os criminosos levaram R$ 1.114.748,40. Já o segundo ataque ocorreu na região sul do país, na agência da Zona Industrial de Tupy, em Joinville, em 14 de abril deste ano. Na ocasião, três criminosos foram presos e outro morreu em confronto com a polícia.

O terceiro ataque ocorreu em uma agência bancária na cidade de Borba, no Amazonas, em 18 de abril deste ano. O último foi registrado em uma agência bancária de Anápolis, em Goiás, em 25 de abril deste ano, em plena pandemia do coronavírus, quando foi furtada a quantia de R$ 924 mil.

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