As duas primas adolescentes de 13 e 15 anos estupradas por um homem que invadiu a casa quando elas se preparavam para dormir lutaram a todo custo para evitar a violência sexual. Os detalhes de todos os momentos de terror vividos pelas meninas foram narrados nos depoimentos colhidos pela Polícia Civil. O crime ocorreu por volta das 6h de domingo (3/2), na área rural do Café Sem Troco, Paranoá.

As garotas estavam em um quarto nos fundos do bar onde a mãe e o padrasto trabalham. Por volta de 5h, conseguiram carona com uma tia até a casa onde moram. O autor do crime, 27, cujo nome não será divulgado para preservar as vítimas, também estava no estabelecimento e pediu para ir junto, já que morava em uma casa perto.

Quando as meninas já estavam deitadas em suas camas, ouviram um grande estrondo. Era o agressor tentando arrombar a porta. Assustadas, as adolescentes arrastaram uma mesa para que servisse de barreira e protegesse a entrada. Com violência, o homem conseguiu entrar na casa e agarrar as garotas. As duas foram ameaças com uma faca e um garfo para que tirassem a roupa.

As meninas contaram que uma delas foi agarrada pelos cabelos e obrigada a fazer sexo com o estuprador. A outra suplicou para não ser violentada. O homem, então, obrigou a menina a fazer sexo oral nele, sempre sob ameaças. Após a violência, o estuprador fugiu para sua casa e se trancou no quarto.

As vítimas ligaram para familiares que correram para socorrê-las. Relataram aos parentes que ficaram com medo de morrer.

Quando os militares obtiveram as informações sobre o paradeiro do autor, ele já esperava de mãos para cima pela polícia e não resistiu à prisão. Isso porque moradores e familiares das meninas estavam na porta da casa dele, tentando invadir o imóvel, para linchá-lo.

Confissão
O Metrópoles teve acesso ao depoimento do estuprador prestado na 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá). O suspeito confessou os estupros e disse que resolveu praticar a violência após chegar em casa e consumir grande quantidade de cocaína.

Segundo o depoimento, após o crime, o autor resolveu levar o celular das meninas para que elas não fizessem contato imediato com os familiares. Porém, não percebeu que havia outro aparelho no local.

O criminoso foi levado para a carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE) e depois transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciário da Papuda.

 

Neste 2019, o Metrópoles iniciou um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.