Categorias: Segurança

Polícia investiga comércio clandestino de airbags furtados no DF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga uma nova modalidade de crime que chegou à capital. Além de roubos e furtos de veículos, os bandidos estão se especializando no furto de airbags. De acordo com a Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), da PCDF, kits com os equipamentos de segurança possuem alto valor no mercado clandestino, chegando a custar R$ 7 mil.

Segundo acreditam os investigadores, os bandidos agem sob encomenda. No DF, lojas de autopeças localizadas no Setor H Norte, em Taguatinga, já foram investigadas e autuadas pela venda de peças furtadas. O local é um dos principais pontos do comércio ilegal na capital do país.

“Existem alguns casos. Ainda não chega a ser significativo, mas começou essa nova ‘moda’. É difícil retirar o airbag sem danificar ou deflagrar o equipamento. Essa situação tem relação com aquela investigação das lojas de revenda de autopeças. Muitas ‘encomendam’ esse produto”, explicou o delegado Eric Salum, da Corpatri.

De acordo com ele, investigadores já estão em tratativas para formalizar um Acordo de Cooperação Técnica com o Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF), visando incrementar a fiscalização sobre as lojas e tentar inibir o comércio ilegal.

Ainda segundo Salum, a venda de airbags  e quaisquer itens de segurança usados é proibida por lei. “Para trocar o airbag, tem que ser sempre novo. O problema é que essa é umas das peças mais caras, então dá-se esse ‘jeitinho'”, destacou. “Com o furto dos equipamentos, algumas vezes, as seguradoras declaram perda total do carro, por ser um item muito caro”, completou o delegado.

A proibição da venda está regulamentada conforme o artigo 4º da Resolução 611 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran):

“Não poderão ser destinados à reposição, independentemente do estado em que se encontrem, os itens de segurança, assim considerados o sistema de freios, o sistema de controle de estabilidade, as peças de suspensão, o sistema de airbags, os cintos de segurança e seus subsistemas, o sistema de direção e os vidros de segurança com gravação da numeração de chassi, sendo sua destinação restrita para reciclagem e tratamento de resíduos.”

Venda ilegal é comum no DF

Na quinta (12/12/2019) e na sexta-feira (13/12/2019), o Metrópoles esteve em lojas do Setor H Norte. No local, a reportagem notou que a venda de kits de airbags usados é comum entre os comerciantes.

Em uma das lojas, o gerente relatou que a empresa compra os veículos usados em leilões do Detran e vende as peças a preços “duas, três vezes mais baratos” do que os itens novos. “Uma lateral de carro, dependendo do veículo, a gente pode vender por algo entre R$ 1 mil e R$ 3 mil. Na concessionária, você vai encontrar por R$ 8 mil”, exemplificou.

Questionado sobre o kit de airbag, o homem informou que o estabelecimento não vendia o produto usado e não falou mais com a reportagem.

Contudo, logo em seguida, um vendedor da mesma loja conversou com o Metrópoles e deu uma versão diferente: o local comercializa, sim, os itens de segurança usados. Segundo ele, o kit custa cerca de R$ 3 mil para um carro popular. “Um novo, na loja, você vai comprar por uns R$ 10 mil”, afirmou.

Em outro estabelecimento, o gerente informou que adquire veículos de São Paulo em leilões on-line de seguradoras, porque “os carros de lá são melhores”. No local, o kit completo de airbag usado também custa aproximadamente R$ 3 mil.

“Na concessionária a pessoa compra tudo separado, não vem em kit. Tem que pagar pelo cinto de segurança, a bolsa do volante, a bolsa do painel. Então sai muito mais caro”, comentou ele.

Em uma terceira loja em que a reportagem esteve, a faixa de preço do equipamento usado foi a mesma, de R$ 3 mil. Segundo um dos vendedores, o local só comercializa airbags usados “que não foram rasgados”. “Um carro com 12 mil quilômetros rodados está novinho”, argumentou.

Veja, no vídeo abaixo:

Questionados sobre a segurança de comercializar o kit com os itens de segurança retirados de carros usados, outros dois comerciantes garantiram que só são vendidas as peças que estiverem em bom estado. “Se não estragou o airbag, a gente vende. Se tiver estragado, não tem como vender”, disse um funcionário.

Ouça o que disseram os vendedores nos áudios a seguir:

Esquema milionário

No dia 30 de setembro deste ano, a Polícia Civil deflagrou uma megaoperação para desarticular uma organização criminosa especializada em roubo e desmanche de veículos. Cerca de 450 policiais cumpriram 120 mandados de prisão, preventiva e temporária, de busca e apreensão. Durante a ação, os agentes interditaram 20 lojas no Distrito Federal, em São Paulo e Goiás.

A ação policial expôs um esquema milionário de desmanche enraizado na capital federal há ao menos uma década. Em depoimento aos investigadores, empresários brasilienses confessaram que encomendavam peças de carros a criminosos de Campinas (SP).

Os carros eram roubados e furtados no município paulista de acordo com a demanda dos clientes, especialmente os do Setor H Norte, em Taguatinga. Ao Metrópoles, o Detran admitiu que a fiscalização nas lojas de autopeças não era feita na capital do país.

Riscos ao consumidor

Após a operação, o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e o Detran reforçaram a fiscalização nas lojas especializadas em vender peças de veículos. Segundo o promotor de Justiça Cláudio Portela explicou ao Metrópoles à época, empresas de peças usadas precisam estar cadastradas no Detran. No entanto, muitas delas não estão atuando dentro da lei.

Portela chamou atenção, então, para a possibilidade de o cliente que comprou peças roubadas ser investigado por receptação. “O cidadão não pode se preocupar só com o preço da peça, mas com a origem, até por que ele é passível de ser investigado pelo crime de receptação se for encontrada uma peça roubada no carro dele” disse.

Com isso, o promotor alertou a população do DF para, antes de comprar qualquer material em lojas do ramo, conferir se o estabelecimento tem o aval para exercer esse tipo de comércio. “Nós precisamos que a sociedade nos ajude. No momento de aquisição das peças, pedimos para que verifiquem se a empresa está adequada aos padrões da legalização, se está de acordo com o Detran”, solicitou.

Ana Karolline RodrigueseMirelle Pinheiro

Nascida em Campina Grande (PB), mora em Brasília desde 1999 e é estudante de jornalismo do UniCEUB. Em 2018, estagiou na assessoria de imprensa da Anatel e na redação Metrópoles, na editoria de Vida & Estilo. Em 2019, trabalhou como repórter no Jornal de Brasília, produzindo matérias para as editorias de Cidades, Cultura, Política, Economia e Esporte. Desde agosto de 2019, está em Cidades no portal Metrópoles.

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