A casa caiu. Polícia prende integrantes do PCC no DF. Veja o vídeo do flagrante

Integrantes da facção criminosa foram presos na manhã desta sexta-feira (9/10) pela Polícia Civil. Eles agiam de dentro dos presídios e contavam com a ajuda de advogados

Policiais da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco) deflagraram uma megaoperação na manhã desta sexta-feira (9/10) para prender integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) que tentavam se instalar no DF. O grupo atuava no tráfico de drogas, roubo e extorsão. As ações do grupo eram comandadas de dentro do presídio e passadas por celulares e cartas. Para entrar na facção criminosa, era preciso pagar uma “mensalidade” de R$ 400.

Além disso, os criminosos vendiam rifas com sorteio de brindes, como motos e carros. O dinheiro ia para uma “caixinha” e servia para pagar advogados e bancar outras despesas da facção.

As prisões foram ocorrendo aos poucos. A maioria delas de criminosos que já cumpriam penas em presídios da capital federal e da Região do Entorno. Até as 11h30, 40 mandados de prisão foram cumpridos: cinco pessoas que estavam em liberdade e 35 que estavam recolhidas no sistema penitenciário.

Primeiros presos chegaram logo no início da manhã desta sexta (9/10)*Rafaela Felicciano/Metrópoles**

 

Duas advogadas foram levadas coercitivamente para prestar depoimento. Elas são suspeitas de atuar como mensageiras do grupo, levando e trazendo informações do comando do PCC para diversos estados do país.

Ao todo foram expedidos 49 mandados de prisão, sendo 40 deles em presídios de São Paulo, Tocantins, Goiás, Mato Grosso do Sul, além do DF. Os presos mais perigosos serão transferidos para prisões federais ou presídios mais seguros  Muitos têm passagens por homicídio, tráfico e latrocínio.

Oito meses de investigação
De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Luiz Henrique Dourado, ao longo de oito meses foram feitas ao menos 20 prisões. “Quatro pessoas foram detidas por tráfico de drogas, uma por latrocínio e as demais por porte de arma. Os chefes da organização, que estão dentro de presídios, controlavam as ações.”

Segundo o delegado, a atuação no Distrito Federal é liderada diretamente do Mato Grosso do Sul por um homem chamado Tony, apelidado de Confusão. Entre os presos está Edson de Souza Campos, vulgo Neguinho, detido no Recanto das Emas. A polícia informa que ele seria o responsável por coordenar os criminosos que estavam na rua. Confira no vídeo o momento da chegada da polícia ao Recanto das Emas:

 

Temos plena convicção de que a organização criminosa foi desarticulada no Distrito Federal, mas nada impede que eles voltem a se organizar. Eles chegaram a tentar se articular para executar dois homicídios. Cada integrante tem uma função definida: existe uma peça para organizar os detentos, o tráfico de drogas e para quem está na rua executando os crimes.

Adriano Valente, delegado adjunto da Deco

Toda a organização criminosa que atuava no DF e Entorno foi identificada. Nove pessoas ainda estão foragidas. Dos que já estavam presos, dois estavam no Centro de Progressão Penitenciária (CPP), uma na Colmeia e quatro na Papuda. Os crimes coordenados pelo PCC no DF ocorriam em Santa Maria, Recanto das Emas, Estrutural e Planaltina. Em um dos casos, um caminhoneiro foi morto em uma tentativa de assalto.

Delegado Luiz Henrique Dourado, da Deco, mostra o organograma do grupo*Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles**

 

A operação Avalanche, como foi batizada, teve início em 23 de fevereiro e se encerra neste sábado (10/10).  O helicóptero da Polícia Civil do DF (PCDF) ajudou no cumprimento dos mandados. Nesta manhã a aeronave auxiliou nas buscas na quadra 101 do Recanto das Emas.

Em novembro de 2014, a Deco deflagrou uma megaoperação, intitulada de Tabuleiro, para desarticular a célula do PCC no DF e Entorno. À época, 14 mandados de prisão foram cumpridos em seis presídios no Entorno do DF, São Paulo e Ceará.