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Após a polêmica envolvendo a falta de segurança nas viaturas da Polícia Militar, a corporação publicou no Diário Oficial do Distrito Federal, nesta terça-feira (27/12), o resultado de uma licitação que promete render nova controvérsia. A PM sugere comprar 192 unidades do veículo Corolla XEI com valor unitário de até R$ 100,3 mil, preço acima do praticado no mercado. O mesmo carro pode ser encontrado por R$ 88,4 mil. Apenas a versão top de linha, a Altis, é estimada em R$ 100 mil.

A corporação deve desembolsar até R$ 19,2 milhões nessa licitação. A justificativa para os preços mais elevados dos automóveis da PM, segundo fontes ouvidas pelo Metrópoles, estaria na instalação de acessórios característicos das viaturas. O caso dividiu a PM. Em grupos de WhatsApp, muitos policiais criticam a falta de economicidade da proposta. Pedem que a verba seja aplicada na construção e no reparo dos batalhões. Outros agentes acreditam que, com veículos melhores, o policiamento nas ruas do DF será beneficiado.

O resultado do pregão também abrange a compra de 16 unidades de Hilux Cabine Dupla 4×4, com valor unitário de R$ 134,8 mil; 27 carros Etios Hatch X 1.3 (R$ 54,5 mil cada); 18 Etios Hatch XS 1.5 (R$ 58,7 mil cada um) e 37 unidades do Etios Sedan X 1.5 M/T (no valor unitário de R$ 58,3 mil). Ainda não se sabe se todos os veículos integrarão a frota de policiamento ostensivo.

Cachorros de R$ 13 mil
Outra aquisição que chamou a atenção dos militares foi publicada no Diário Oficial do dia 5 de dezembro. O resultado do pregão realizado pelo Departamento de Logística e Finanças da PMDF, cujo objeto é a compra de cães da raça pastor belga de Malinois. A ideia é obter 12 cachorros no valor de R$ 13,5 mil cada. O custo total será de R$ 162 mil. O canil que fornecerá os animais à corporação é o Caraíbas Ldta, de Goiânia.

Ao Metrópoles, um policial militar afirmou que o recurso poderia ser empregado, prioritariamente, na reforma do Batalhão de Policiamento com Cães (BPCães), que precisa de muitos reparos. Até a publicação desta reportagem, a corporação não havia respondido aos questionamentos da redação.

Acidentes graves
Desde 2012, quando foram compradas as viaturas Pajero se envolveram em, pelo menos, 20 capotamentos durante o policiamento nas ruas do DF. Em um desses acidentes, um policial militar morreu.

O cabo Renato Fernandes da Silva, 37 anos, participava de uma perseguição a assaltantes na tarde de 5 de fevereiro de 2016, na BR-070 sentido Águas Lindas (GO), em área próxima à Barragem do Descoberto. Um dia antes do acidente com o cabo Renato, duas viaturas da PM capotaram no Setor Bancário Sul, perto do Banco Central.

Resposta da PM
Por meio de nota, a PMDF informou que “a aquisição das viaturas operacionais atendeu todas as exigências da lei de licitações, inclusive com auditoria do Tribunal de Contas do DF. Além disso, o processo de aquisição levou em consideração vários critérios para a especificação do veículo, entre os quais a segurança do policial militar e o melhor desempenho para a atividade”.

Ainda de acordo com a corporação, “o valor final do veículo inclui todos os itens indispensáveis para o serviço policial militar: identificação visual, sirene, luzes de emergência e um moderno sistema de comunicação”.

Sobre o canil, a PM disse que “já existe projeto em fase avançada e com implantação prevista até 2018”. O documento acrescenta que os cães de trabalho policial possuem características específicas para a atividade de policiamento, ou seja, não são animais comuns. O critério de seleção passa por cerca de 20 exames visando o aperfeiçoamento genético e a manutenção adequada da saúde do animal, que trabalha até os 8 anos de idade”.

Segundo a PM, “os cães adquiridos já virão adaptados para o faro de entorpecentes, maximizando seu emprego imediato nas operações policiais. Estudos internos mostraram que aproximadamente metade do plantel canino existente na PMDF estará aposentada até 2018”.

 

 

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