PF deflagra operação contra fraude em loterias
Ação é realizada no DF e outros estados e envolve gerentes da Caixa Econômica e o ex-jogador da Seleção Brasileira Edílson Capetinha
atualizado
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A Polícia Federal realiza na manhã desta quinta-feira (10/9) uma operação contra uma organização criminosa especializada em fraudar os pagamentos de prêmios de loterias, que atuava no Distrito Federal, Goiás, São Paulo, Bahia, Sergipe e Paraná. O esquema consistia em validação de bilhetes falsos por gerentes da Caixa Econômica Federal, que liberavam o prêmio utilizando as suas senhas funcionais. Estão sendo cumpridos 54 mandados judiciais, sendo cinco prisões preventivas, oito temporárias, 22 conduções coercitivas e 19 buscas.
A PF informou que, no DF, mandados estão sendo cumpridos em Águas Claras. A operação, batizada de Desventura, investiga a ação dos gerentes, que eram recrutados por correntistas com grande movimentação financeira, entre eles o ex-jogador da Seleção Brasileira de futebol Edilson da Silva Ferreira, o famoso ‘Capetinha”. Além do pentacampeão de 2002 com a seleção, um primo de Edilson foi preso durante a operação da Polícia Federal e é apontado pelas autoridades como um dos principais alvos das ações.
Durante as investigações, um integrante da quadrilha chegou a ser detido quando tentava aliciar um gerente para o saque de um bilhete de loteria no valor de R$ 3 milhões. Poucos dias depois de liberado pela polícia, foi executado em condições que ainda estão em apuração.
De acordo com a corporação, o esquema teria desviado pelo menos R$ 60 milhões de valores de bilhetes premiados, não sacados pelos ganhadores, que deveriam ser destinados ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). No ano passado, os premiados na loteria deixaram de resgatar R$ 270,5 milhões em prêmios da Mega-Sena, Loteca, Lotofácil, Lotogol, Quina, Lotomania, Dupla-sena e Timemania.
Crimes
A investigação conta com o apoio do Setor de Segurança Bancária Nacional da Caixa Econômica Federal. Os envolvidos responderão por organização criminosa, estelionato qualificado, tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, falsificação de documento público, evasão de divisas.
A operação também investiga fraudes na utilização de recursos do ConstruCard, que é o financiamento da Caixa para a compra de materiais de construção, e liberação irregular de gravames de veículos.
