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Todos os suspeitos presos durante a Operação Delivery, deflagrada na terça-feira (6/2) contra o tráfico de drogas, vão continuar na cadeia. A decisão é do Núcleo de Audiências de Custódia do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Os alvos detidos em flagrante tiveram a prisão convertida em preventiva.

Segundo as investigações, os acusados vendiam diversos tipos de entorpecentes, como escama de peixe (cocaína pura), haxixe, maconha, merla e LSD. Usavam motocicletas para entregá-los. O material vinha da Bolívia. Os traficantes atuavam somente no DF, especialmente para atender a clientela da Esplanada dos Ministérios. Entre os clientes, jornalistas, médicos e servidores públicos, alguns de alto escalão.

A operação foi coordenada pela 5ª Delegacia de Polícia (área central). Cerca de 300 policiais participaram das ações em diversas regiões administrativas do DF.

Ao proferir a decisão contra 12 presos na Vila Planalto, a juíza Lorena Campos afirmou não ter ocorrido qualquer irregularidade que pudesse gerar o relaxamento da prisão e ressaltou a gravidade do crime: “Nas interceptações realizadas, foi possível verificar a atuação de uma forte associação criminosa na Vila Planalto e em outras regiões do DF. Ela se mostrou organizada, tendo membros com divisões de tarefas estipuladas pelos líderes”, pontuou a magistrada.

O juiz Aragone Nunes Fernandes, da 1ª Vara de Entorpecentes do DF, que julgou os demais presos, entre eles o secretário parlamentar Daniel Lourival Azevedo, ressaltou o trabalho de inteligência feito pela polícia durante um ano. “Acresço ainda que a prisão não decorreu de evento fortuito. Ao contrário, ela envolveu trabalho de inteligência policial, ao longo de grande período, com mandados de busca e de prisões temporárias”.

Na audiência, Aragone detalhou que o grupo implementou um sistema de tele-entrega, “verdadeiro ‘delivery de entorpecentes’, levando drogas para órgãos públicos desta capital, demonstrando a ousadia e destemor dos envolvidos”.

A prisão de todo o grupo se mostra adequada, necessária e proporcional. Isso para, de um lado, garantir a ordem pública, freando a ação delitiva do grupo; de outro lado, para preservar a instrução criminal, desbaratando a célula criminosa"
Aragone Nunes Fernandes, juiz

Investigação
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga se o bando acusado de tráfico de drogas usava carro alugado pelo deputado Valadares Filho (PSB/SE), gabinete em que Daniel Lourival Azevedo era lotado como motorista, para a entrega dos entorpecentes a clientes de alto poder aquisitivo na capital do país.

De acordo com o delegado Rogério Henrique Oliveira, da 5ª DP, durante as investigações, que começaram há um ano, a PCDF “praticamente confirmou” a utilização do veículo alugado pelo parlamentar e que era conduzido diariamente por Daniel Azevedo. “Não temos como dizer 100%. Temos informações de que ele (Azevedo) usava Mégane (da Renault). Muitas vezes, esses carros são terceirizados de órgãos públicos”, ressaltou.

Segundo o delegado, os policiais têm informações de que o secretário parlamentar, que era motorista de Valadares Filho, saía do expediente para vender a droga. Com remuneração de R$ 6,5 mil mensais, Azevedo trabalhava como comissionado na Câmara dos Deputados desde 2007. Após a prisão, ele foi exonerado.

A assessoria do deputado informou também que Azevedo utilizava um Renault Fluence e ficava, inclusive, com o carro aos finais de semana.

Entre os 23 presos nesta terça, também está a ex-estagiária da Procuradoria-Geral da República (PGR) Marcela Galdino da Silva, 23, e Fernando Godoy, que pertenceu à Polícia do Exército e ostentava fotos com fuzil nas redes sociais. “O grupo tinha assessoria jurídica, integrada por ela”, ressaltou o delegado, em coletiva à imprensa.

Estudante de direito, Marcela estudava em cursinho preparatório para concurso da Polícia Civil do DF. Era ela quem orientava o grupo sobre o procedimento, quantidade e forma como a droga seria transportada. A PGR afirmou, em nota, que Marcela estagiou no gabinete do subprocurador-geral por dois anos, mas deixou o órgão em junho do ano passado.

Marcela é namorada de Carlos Alberto de Almeida Leite, 25 anos. Conhecido como Kaká, ele é apontado pela polícia como o maior fornecedor das drogas. Os comparsas buscavam o entorpecente  na casa dele, na Vila Planalto, e distribuíam na região central. A encomenda era entregue, muitas vezes, em órgãos públicos ou nas imediações. Entre 40 e 50 pessoas foram identificadas como clientes cativos da quadrilha. Elas serão ouvidas pela polícia.

Kaká e um outro homem preso na operação deflagrada nessa terça (6) — identificado como Rodrigo Silva Vaz, ou Passarinho — tinham lavanderias. A suspeita é de que eles usavam os estabelecimentos, localizados em Águas Claras e no Sudoeste, para “limpar” o dinheiro da droga. A PCDF vai pedir à Justiça o bloqueio dos bens do grupo.

 

 

 

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