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Um morador de rua foi espancado brutalmente por duas mulheres no bairro São José, em São Sebastião. Testemunhas informaram à polícia que as suspeitas iniciaram a agressão de forma gratuita. João Pereira da Silva, 38 anos, ficou internado em estado grave no Hospital Regional do Paranoá (HRPa) e, após recuperação, fugiu da unidade hospitalar.

O crime ocorreu no sábado (2/6) e foi registrado por câmeras de segurança. No vídeo, o qual o Metrópoles teve acesso, é possível ver a dupla agredindo o homem com chutes na cabeça e no peito. O morador de rua não esboça qualquer reação, mas, mesmo assim, o ataque continua. Nem a chegada da Polícia Militar arrefeceu a fúria das agressoras.

Elas batem, socam e pisam. Além dos próprios punhos e pés, as mulheres também usam uma cadeira para bater no morador de rua.

Várias pessoas presenciaram o fato em um ponto de mototáxi, mas ninguém ajudou a vítima. Alguns chegaram a tirar as motos do estacionamento, temendo que elas fossem atingidas.

De acordo com o delegado-chefe da 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião), João Guilherme Medeiros, a reação das testemunhas se justifica pelo fato de haver um terceiro suspeito armado dando cobertura à dupla. “Seguimos investigando para esclarecer o motivo das agressões”, explicou.

Pela manhã, a Polícia Civil chegou a enviar uma foto para o Metrópoles dizendo ser o morador de rua agredido. Afirmou, ainda, que ele estava em estado grave, internado na UTI, em coma. Em nota distribuída à imprensa no final da tarde, corrigiu a informação.

Veja o vídeo. As cenas são fortes:

 

Preconceito
Conforme afirmaram alguns moradores da redondeza, a vítima passa o dia recolhendo latas de alumínio para venda nas ruas de São Sebastião. De acordo com o depoimento das agressoras – uma delas tem apenas 15 anos –, o homem tentou estuprá-las.

Entretanto, ninguém confirmou a versão delas. Pelo contrário. Até o momento, com base em relatos de pessoas ouvidas pela polícia, a agressão teria sido motivada por preconceito, pois a vítima seria homossexual. As testemunham contaram, ainda, que o homem mantém bom convívio com os moradores.

A adolescente foi apreendida e levada para a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). A outra mulher, de 24 anos, está presa. Ela tem passagens por agressão e ameaça. A ocorrência foi registrada como tentativa de homicídio.

Histórico
Na sexta-feira (1º), outro morador de rua sofreu espancamento. O crime ocorreu no Paranoá. Dois homens foram presos. Segundo a ocorrência registrada na 6ª Delegacia de Polícia, a vítima foi encontrada por policiais militares deitada no chão. Os envolvidos ainda estavam no local e assumiram a autoria da agressão. Alegaram que o morador de rua iniciou a discussão.

No dia 26/5, Victor Martins Melo, 17 anos, foi linchado durante uma festa eletrônica realizada no Parque da Cidade. Ele foi espancado por um grupo de 20 pessoas após ser apontado como o autor do furto de um celular. No decorrer das investigações, a 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) concluiu que o adolescente não cometeu o ato infracional.

Um dos casos mais bárbaros de espancamento no DF ocorreu em 1993. Marco Antônio Velasco, à época com 16 anos, morreu depois de ser agredido por 10 jovens de uma gangue, na 316 Norte.

Dados da Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social mostram que de janeiro a abril deste ano (último dado disponível), 172 pessoas perderam a vida de forma violenta no DF. Foram 159 homicídios, nove latrocínios (roubo seguido de morte) e quatro lesões corporais seguidas de morte.

 

 

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