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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) concluiu as investigações sobre a morte do motorista da Caixa Econômica Federal Luís Cláudio Rodrigues, 48 anos. Ele foi encontrado morto em 14 de julho, dentro da carceragem da 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho), após ser detido acusado de dirigir sob efeito de álcool. Conforme o Metrópoles antecipou, o laudo do Instituto Médico Legal apontou que o homem tirou a própria vida se enforcando. Os detalhes e o exame elaborado pelo Instituto de Criminalística (IC) que confirma a tese de suicídio foram divulgados na tarde desta sexta-feira (18/8).

Coube ao delegado Marcelo Zago, diretor da Divisão de Investigação, e ao diretor-geral da corporação, Eric Seba, divulgarem os resultados durante coletiva de imprensa. Após relatar a dinâmica da prisão de Luís Cláudio, Zago informou que, uma vez na cela da 13ª DP, o homem usou a própria camiseta para se enforcar. Ele prendeu a roupa ao duto de ventilação da cela. Foi encontrado em pé, em posição de semissuspensão, com os pés no chão e os joelhos dobrados. Tecnicamente, o motorista teve asfixia por constrição cervical.

Autópsia psicológica realizada por peritos do Instituto de Psiquiatria Forense da PCDF descartou que Luís Cláudio tivesse um quadro de depressão ou tendências suicidas, como a família já havia afirmado em reiteradas ocasiões. No entanto, disse Marcelo Zago, o exame esclareceu que ele estava sujeito a um “suicídio por impulso”.

Ele havia acabado de bater o carro do presidente da Caixa. Iria perder a carteira de habilitação, seu ganha-pão. Era motorista havia 29 anos. Não sabia fazer outra coisa"
Marcelo Zago, diretor da Divisão de Investigação, ao explicar como alguém sem tendências suicidas tirou a própria vida

Conforme o Metrópoles apurou, os peritos se debruçaram sobre todas as provas colhidas no local da morte, inclusive as peças de roupas usadas pela vítima para se enforcar. Até um exame de resistência no tecido da camiseta de Luís Cláudio foi feito para saber se ela sustentaria o peso do motorista. Para a Polícia Civil, o exame rebate, de forma técnica, todas as suspeitas que cercam a morte de Luís Cláudio.  O laudo rechaça qualquer possibilidade de a morte ter sido causada por “um segundo indivíduo”.

Tivemos muito cuidado com essa investigação e primamos pela tecnicidade. Tudo foi feito com sintonia entre o Instituto de Criminalística e o Instituto Médico Legal (IML) para chegarmos a essa conclusão"
Eric Seba, diretor-geral da PCDF

 

Carlos Carone

O delegado Marcelo Zago e o diretor da corporação, Eric Seba, deram todos os detalhes da prisão e da dinâmica do suicídio de Luís Cláudio


Hematomas
De acordo com com Seba e Zago, todas as lesões encontradas no corpo do motorista foram consideradas compatíveis com os processos de contenção e algemamento pelos qual Luís Cláudio passou ao ser detido. Também havia marcas decorrentes das quedas sofridas antes e depois de ele chegar à unidade policial.

Outro fator que teria sido levado em consideração é que o policial militar responsável pela primeira abordagem a Luís Claudio, ainda na rua, em Sobradinho, o colocou sentado encostado em um muro “chapiscado”. O atrito do corpo do motorista com a superfície irregular teria causado pequenos ferimentos pelo corpo do homem.

Perito particular
Desde a morte de Luís Cláudio, no dia 14 de julho, familiares dele contestam a tese de suicídio. Divulgaram, inclusive, fotos de ferimentos no corpo do homem (veja abaixo). Ao saber do resultado do laudo, o advogado e primo do motorista informou que eles contrataram um perito particular.

“O nosso objetivo agora é desmentir a Polícia Civil. Queremos, inclusive, acesso às fotos da necrópsia. Temos certeza de que o Luís Claudio jamais tiraria a própria vida. Vamos lutar não só para limpar o nome dele, mas para garantir que isso não ocorra com mais ninguém”.

 

O caso é acompanhado de perto pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal, pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, pela Ordem dos Advogados do Brasil e pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, uma vez que havia a suspeita de que o homem teria sido assassinado por policiais.

Luís Cláudio morreu dentro da carceragem da 13ª DP, após ser detido por dirigir sob efeito de álcool. O carro que ele conduzia envolveu-se em acidente com o de um PM, por volta das 15h de 14 julho. Depois que o delegado plantonista da unidade arbitrou o pagamento da fiança para a família, um dos agentes da corporação foi até a cela e encontrou o motorista sem vida. De acordo com a Polícia Civil, o teste de bafômetro de Luís Cláudio apontou 1,35 miligrama de álcool por litro de ar expelido.

Dezenove casos em 10 anos
De acordo com o diretor da Polícia Civil, desde 2007 já foram registrados 12 suicídios e sete tentativas em delegacias do Distrito Federal. Eric Seba explicou que está em processo final a licitação para compra de câmeras de segurança que serão usadas para monitorar as celas das unidades. Segundo ele, a medida tem por objetivo garantir a integridade física dos presos, evitando casos de autoextermínio. Também serão instaladas telas de proteção nas celas.

A primeira unidade a receber os novos itens de segurança – tanto telas quanto câmeras – será a 27ª Delegacia de Polícia, no Recanto das Emas. Na última segunda-feira (14), após ser flagrado por policiais militares dirigindo embriagado e levado à unidade, Giovânio Alves da Silva, 43, foi encontrado morto dentro de uma cela. Supostamente, ele também se enforcou – teria usado a própria calça.

 

 

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