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Foi pelo WhatsApp que servidores do Instituto Hospital de Base (IHB) passaram a cobrar da área administrativa da unidade de saúde providências sobre os recorrentes problemas com o ar-condicionado do prédio. Um dos registros ocorreu na noite de quinta-feira (7/6), mais de 40 dias após cirurgias serem suspensas no instituto justamente por falta de refrigeração.

Por volta 21h, no grupo batizado de “Emergência Assist. IHB”, há uma série de reclamações sobre a falta de funcionamento do ar-condicionado, em especial no pronto-socorro da maior unidade de saúde pública do DF. “Alguns pacientes estão reclamando muito do calor. Quem está na chefia da equipe?”, questiona uma dos participantes.

Logo em seguida, ao receber a resposta, a servidora continua: “Saber se está calor mesmo ou se não está funcionando o ar-condicionado? Custa alguém responder?”, indigna-se ela. “Olha, não é possível que esse moído do ar-condicionado não arrumou. Pois isso vai dar problemas dos grandes. Ainda esta novela? Estou na pressão de pacientes”, continua.

Mesmo após tentar ser acalmada pelo possível gestor, a servidora continua: “Olha, tem que resolver isso. Porque ninguém dá conta de ficar no pronto-socorro respirando o mesmo ar, que não tem”. Um outro profissional da saúde se solidariza. “Eu nem comento mais. Infelizmente, na neurocardio o calor é rotina”.

O gestor então confirma que “todos os setores do pronto-socorro” estão sem o sistema de refrigeração. Revoltada, a mesma funcionária desabafa. “Penso que isso é prioridade, pois se queremos ter um acolhimento melhor e atendimento de qualidade, começa com um ambiente melhor, não acha?”, diz.

 

Histórico recorrente
Não é a primeira vez que os pacientes ficam na mão depois de o sistema de ar-condicionado do hospital parar de funcionar. Em janeiro do ano passado, conforme mostrou o Metrópoles, o equipamento da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do maior hospital público do Distrito Federal estava com defeito.

O problema se concentrou em pelo menos duas alas, de traumatologia e coronariana. Em função disso, as janelas das unidades de tratamento intensivo precisam ficar abertas e até soro fisiológico está sendo usado para resfriar o corpo das pessoas que estão internadas no local.

Recentemente, no dia 29 de maio, a Supervisão de Enfermagem do Bloco de Procedimentos Especiais relatou vários problemas vividos dentro do Instituto Hospital de Base, entre eles o risco da unidade ficar sem o sistema de refrigeração (veja documento abaixo).

“Considerando que das seis reprocessadoras automatizada três estão quebradas, sem contrato de manutenção. Com isso, a utilização de cubas para reprocessamento manual dos endoscópios (…) (..) Solicito providências para que os colaboradores não fiquem expostos a altas concentrações de vapor de glutaraldeído enquanto o equipamento é reprocessado em salas pouco ventiladas, quando derramamento ou vazamento ocorrem, ou quando os recipientes para imersão são abertos”.

Servidores relatam problemas no IHB by Metropoles on Scribd

 

O outro lado
Procurada, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, responsável pelo Instituto Hospital de Base, afirmou que o sistema de ar-condicionado do hospital não está danificado. “Houve apenas a interrupção temporária, que começou nessa quinta-feira (7), em parte do pronto-socorro, para manutenção programada, com previsão de conclusão até a próxima segunda-feira (11)”.

Segundo a pasta, “nos demais setores da unidade, não houve interrupção do funcionamento”.