No DF, jovem acha gaze esquecida na vagina 20 dias após o parto

Caso ocorreu após a mulher dar entrada no Hospital Regional de Ceilândia e dar à luz no início de outubro

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atualizado 22/10/2019 18:58

Uma paciente acusa profissionais do Hospital Regional de Ceilândia (HRC) de terem esquecido uma gaze dentro da vagina dela durante procedimento realizado na unidade. Gestante, a jovem de 20 anos procurou a rede pública de saúde no início de outubro, após entrar em trabalho de parto. No entanto, só foi notar o erro quase 20 dias após ganhar o bebê.

Ao Metrópoles, o pai da jovem disse ter sido ela a primeira pessoa a notar que algo estava errado. “No dia 1º deste mês, minha filha deu entrada no HRC com contrações e fez o parto poucas horas depois. Ficou um período de repouso e recebeu alta. Nesta semana, ela disse que viu algo saindo da vagina e conseguiu puxar”, explica.

De acordo com o homem, dias após o parto, a filha sentia fortes dores na região uterina. “Ela conta que pareciam cólicas e achou que fosse normal. Foi quando resolveu olhar e encontrou a gaze lá dentro, já preta. Isso porque ela nem fez cesárea, foi parto normal. Um absurdo, ela poderia ter contraído uma infecção”, desabafou.

Após retirar o material, a família orientou a paciente a procurar uma unidade de saúde para fazer exames. “A levamos no posto daqui de Ceilândia e, graças a Deus, ela não teve nada de pior. Está bem. Agora, vou registrar ocorrência na Polícia Civil”, completou o pai.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que “lamenta o ocorrido e se coloca à disposição da paciente e seus familiares”. De acordo com a pasta, o episódio será apurado administrativamente.

 

Outro caso

O episódio envolvendo a jovem não é pontual. Em julho deste ano, o Metrópoles mostrou outro caso de gaze esquecida dentro de útero de paciente após parto. Dessa vez, o incidente ocorreu no Hospital Regional de Samambaia (HRSam).

Depois de ter alta médica, Erika Pereira Nascimento, 25, passou a sentir dores e notou um forte odor saindo da vagina. “Fiz todo meu resguardo da maneira como me foi recomendado e, no final dele, comecei a sentir umas dores e percebi que saía um líquido com odor forte e sangue da minha vagina. No início, achei que fazia parte do próprio resguardo”, conta.

Cinco dias depois de apresentar os sangramentos na região uterina, as dores se intensificaram, levando-a a procurar novamente o HRSam. “Eu sentia uma dor muito forte. Quando tocava, parecia ter um caroço. Fui ao hospital ver o que era e o médico retirou, de dentro da vagina, a primeira gaze, que estava podre e, em seguida, outra.”

Segundo Erika, o profissional responsável pela extração dos materiais hospitalares omitiu a informação no prontuário em uma tentativa de “tentar esconder o erro médico”. “Foi tudo muito difícil. Primeiro, perdi meu primeiro filho em um hospital que não tinha atendimento bom, que foi negligente. Fui esquecida e minha irmã teve de procurar os médicos para que eles me atendessem. Depois do parto, quando estava me recuperando e sofrendo meu luto, ainda tive que passar por tudo isso, inacreditável”, lamentou a autônoma.

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